Manaus, 18 de julho de 2026

Teatro

Foto: Alonso Júnior
Foto: Alonso Júnior Foto: Alonso Júnior

Arte, ciência e natureza inspiram o espetáculo ‘Borboletas bebem lágrimas de tartarugas’

Estreia será em Manaus, com uma temporada gratuita de 16 a 25 de abril.

Com informações da assessoria

A arte, ciência e natureza inspiram o espetáculo ‘Borboletas bebem lágrimas de tartarugas’. O artista Ítalo Rui contou com um processo de criação reunindo artistas do Amazonas e Ceará e também cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Musa (Museu da Amazônia).

A estreia será em Manaus, com uma temporada gratuita de 16 a 25 de abril de 2026. E, é claro, será realizada em espaços culturais e científicos.

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Foto: Alonso Júnior

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PROCESSO DE CRIAÇÃO DO ESPETÁCULO

Na Amazônia, pesquisadores descobriram um fenômeno inusitado: as tartarugas eliminam o excesso de sódio do corpo através das lágrimas e as borboletas bebem esse líquido por ser um nutriente precioso à nutrição delas.

O hábito denominado como Lacrofagia, prática que algumas espécies possuem de se alimentar das lágrimas de outros animais, vira uma metáfora durante o espetáculo para tocar em assuntos sensíveis como as questões que giram em torno do cuidado de si, da saúde mental e de decisões de vida, como sair ou não da cidade natal.

De acordo com os artistas, o projeto parte de questões pessoais vividas durante o período da pandemia da Covid-19, onde muitos artistas morreram, outros decidiram sair de Manaus e tudo parecia incerto.

“Vi um vídeo em que apareciam borboletas sobrevoando as tartarugas, uma imagem linda e comecei a pesquisar mais sobre tartarugas. Foi quando descobri que elas depositam seus ovos nos mesmos bancos de areia em que nasceram. Percebi que há uma relação muito forte com o território, com o lugar de onde elas vieram”, conta o ator Ítalo Rui.

Idealizador do espetáculo, Ítalo Rui viu na natureza comportamentos similares ao ambiente social no momento que estava vivendo “O vídeo das borboletas e tartarugas me fizeram refletir sobre uma noção muito bonita de pertencimento e que, por conta das mudanças climáticas e da ação predatória do homem, diversas praias estão desaparecendo. Logo, as tartarugas acabavam migrando para outros lugares, como se a terra estivesse expulsando-as de alguma forma”, conta.

A partir dessa metáfora, o ator convidou a dramaturga e atriz Pricilla Conserva para o projeto e, assim, surgiu a narrativa que fala sobre território, memória, ancestralidade, luto e autoconhecimento. A obra é totalmente criada na linguagem do teatro de formas animadas, através do recurso de criação e manipulação entre animador/ator e bonecos. Mesmo que ‘Borboletas bebem lágrimas de tartaruga’ seja um solo, a dramaturgia, conta com seis personagens em cena, todos interpretados pelo próprio Ítalo Rui.

O projeto foi contemplado no Edital nº 07/2024 – Fomento à Execução de ações cultura de teatro da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado do Amazonas.

ARTISTAS E CIENTISTA EM CAMPO NO MUSA E NO INPA

Para dar embasamento à pesquisa e ao aprofundamento criativo, a equipe artística do espetáculo realizou pesquisas de campo ao lado de pesquisadores da Amazônia.

Para compreender melhor as borboletas, os artistas fizeram uma imersão no borboletário do MUSA e, para aprender sobre tartarugas, o destino foi o Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia (CEQUA), do INPA.

Durante um mês, os artistas acompanharam a rotina dos pesquisadores, onde além de observarem e tirarem dúvidas, tiveram atividades práticas como alimentar, cuidar e ajudar na rotina dos animais.

“Apesar de que as perspectivas são muito diferentes, Italo e sua equipe são muito simpáticos e a interação foi muito positiva. Foi fácil encontrar pontos de convergência”, conta Gabriel Jorgewich Cohen, biólogo, pesquisador adjunto do Inpa.

No MUSA, os artistas acompanharam o trabalho dos pesquisadores para vivenciar todo o ciclo que uma borboleta passa. O grupo viu desde a coleta da planta hospedeira, entendendo mais sobre essas plantas; viram a rotina do laboratório, onde aprenderam sobre as identificações da coleta; ajudaram na alimentação e estiveram presente até na metamorfose da lagarta para borboleta.

“Trazer eles pra essa convivência com a gente foi, foi acho que animado, empolgante, porque algo que é muito comum pra gente, mas para eles era novidade, eles ficavam maravilhados com cada processo”, conta Raymê Carvalho, bióloga responsável pelo Laboratório de Borboletas e o Borboletário do MUSA.

TEMPORADA DE APRESENTAÇÕES GRATUITAS EM MANAUS

‘Borboletas bebem lágrimas de tartarugas’ terá seis apresentações na temporada de estreia em Manaus, sendo duas delas ao ar livre. Todas com entrada gratuita

No Teatro da Instalação, a estreia será no dia 16 de abril, com a segunda apresentação no dia 18 de abril. Nos dois dias será às 19h.

No dia 17 de abril, a apresentação será na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na sala Sala Selma Bustamante, na Escola de Artes e Turismo (ESAT), às 15h.

No dia 22 de abril, o INPA recebe o espetáculo às 9h da manhã.

Já no MUSA serão duas sessões no dia 25 de abril, uma às 9h da manhã e outra às 15h.

Mais informações pelo Instagram do artista @italorui.

Foto: Alonso Júnior

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