Manaus, 5 de julho de 2022

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Foto: Valdo Leão/Semcom
Foto: Valdo Leão/Semcom Foto: Valdo Leão/Semcom

Centro de Arqueologia de Manaus terá exposição de artefatos encontrados durante restauro

Arqueólogos acharam fragmentos de cerâmicas pré-históricas.

Da redação do Portal Edilene Mafra

A Prefeitura de Manaus está fazendo uma intervenção no prédio tropical neoclássico colonial da antiga Câmara Municipal, na avenida Sete de Setembro, no Centro. O espaço vai abrigar o futuro Centro de Arqueologia de Manaus.

Segundo o Município, o local terá exposição de artefatos encontrados durante a obra de restauro. É o que os pesquisadores chamam de manter os remanescentes in situ (no local achado).

O Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) coordena os trabalhos de restauro. De acordo com o diretor-presidente do órgão, Cláudio Guenka, o centro terá a missão de conservar, preservar, pesquisar e divulgar o patrimônio arqueológico encontrado no local. “O que garantirá às gerações futuras o entendimento do nosso passado, neste presente, com perspectiva futura”, disse.

Espaço passa por restauro. Foto: Valdo Leão/Semcom

Intervenção

O Município informou que o prédio ficou abandonado por uma década. Agora, a prefeitura faz a intervenção com recursos próprios, dentro do projeto ‘Manaus Histórica’, lançado na gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto.

“O Centro de Arqueologia será um dos grandes legados históricos que deixaremos à cidade, assim como o Museu da Cidade de Manaus, o Casarão da Inovação Cassina e o próprio Centro, que se reencontra com suas origens ao passo que caminha para a modernidade”, destacou o prefeito.

Materiais encontrados

A Biapó venceu a licitação para a restauração. O arqueólogo e museólogo da empresa, Sérgio Costa, afirmou que houve preocupação com o registro dos objetos encontrados. Segundo ele, o trabalho conta com aprovação do Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).

O trabalho de escavação constatou que o subsolo do local sofreu intervenções ao longo do tempo. Foram encontrados escombros de outras reformas. Em um dos porões obstruídos, abaixo do contrapiso, a mais de 1,10 metro de profundidade, a equipe achou materiais que podem estar relacionados a práticas de sepultamento.

“Talvez, as intervenções não tenham tido esse registro cuidadoso de 2020. Nota-se grande concentração de remanescentes de tradições arqueológicas, já publicadas em pesquisas pelo arqueólogo Eduardo Góes Neves. A equipe de arqueologia observou grande concentração de terra preta, da camada antropogênica (de atividades humanas), que atesta períodos cronológicos e manejo do meio ambiente, das sociedades pretéritas que ocuparam a região”, informou.

Os arqueólogos encontraram fragmentos de cerâmicas pré-históricas de povos que ocuparam a Amazônia. Os materiais indicam a existência de um sítio arqueológico. Para a equipe, são “testemunhos de culturas pré-históricas e europeias”.

“As áreas evidenciadas apresentam resquícios de remanescentes arqueológicos que vão fazer parte da expografia dentro do projeto. Uma parte ficará conservada in loco, revelando como se formou parte desse sítio”, disse Costa.

O material encontrado será exposto no centro. “A diversidade da cultura material histórica e pré-histórica do subsolo poderá ser vista por meio da instalação de vidro transparente no piso”, destacou Costa.

O arquiteto Almir de Oliveira, autor do projeto, ressaltou que a obra é um marco para a cidade. “Manaus virá protagonizar papel importante na história da preservação do patrimônio cultural brasileiro. Trabalho árduo de cooperação e expertise levado a termo em um ambiente de harmonia e profissionalismo digno de uma cidade da importância de Manaus”, disse.

Centro terá diferentes espaços. Foto: Valdo Leão/Semcom

Espaços dentro do centro

Após o restauro, o espaço deve contar com sala de triagem, sala para palestras e exibição de multimídias, ente outros setores.

O centro também vai contar com uma loja para venda de souvenires, área de café, além de banheiros.

Os visitantes terão uma área de contemplação. O prédio terá, ainda, sala de estudos, com máquinas para acesso à internet e um acervo bibliográfico para consulta.

Já os ambientes das exposições terão duas salas interligadas que formam um circuito.

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