Manaus, 15 de julho de 2024

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Fotos: Arquivo Pessoal
Fotos: Arquivo Pessoal Fotos: Arquivo Pessoal

Torcedores lamentam mais um ano sem o Festival de Parintins e falam da esperança para 2022

Pelo segundo ano consecutivo, a festa foi cancelada por conta da pandemia.

Por Stephane Simões

Pelo segundo ano consecutivo, os bois Caprichoso e Garantido não vão disputar o Festival Folclórico de Parintins. Desde 2020, a festa comemorada anualmente no último fim de semana de junho está suspensa, em razão da pandemia da Covid-19. Torcedores dos bumbás azul e vermelho falam sobre a saudade do festival e destacam a esperança de poder participar o evento de forma presencial.

Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, o Festival de Folclórico de Parintins é uma festa popular que acontece oficialmente desde 1965. Durante três noites, sempre no último fim de semana de junho, os bois Caprichoso e Garantido se apresentam no Bumbódromo, em Parintins, no Amazonas, com interpretação de rituais indígenas, lendas e figuras típicas regionais da Amazônia.

O médico Carlos Eduardo é torcedor do Boi Caprichoso e já frequenta o festival há 20 anos. Para ele, o sentimento de não poder participar da festa por mais um ano é um misto de tristeza com indignação.

O médico Carlos Eduardo é torcedor do Boi Caprichoso. Foto: Arquivo Pessoal

“Nós sabemos que estamos diante de uma situação em que, se tivesse vacina, alguns eventos poderiam estar liberados, algumas coisas acontecendo. Mas é algo que foge do nosso controle, e quem poderia fazer alguma coisa não faz”, disse, fazendo referência à lentidão na vacinação dos brasileiros contra a Covid-19.

Como outros torcedores, Carlos Eduardo também aguarda pela festa o ano inteiro. Entre amigos, ele costuma brincar que o ano novo começa junto com a chegada do mês de junho. Para o médico, a cada ano, fica a expectativa da espera pelo próximo festival.

“Não tem nem o que falar com relação a junho, porque é um mês que realmente guardo pra mim, que eu espero chegar. Toda a minha programação foi pra isso. Eu, como residente, estava até pensando que seria bom, que daria pra tirar minhas férias todo mês de junho, que não ia atrapalhar eu ir pra Parintins. E, mesmo se eu não conseguisse tirar férias em junho, iria implorar pro meu chefe me liberar, para eu ir ao festival. E acabou que eu tô no segundo ano da residência e, até agora, nada de festival”, afirmou.

O torcedor frequenta o festival há 20 anos. Foto: Arquivo Pessoal

O médico sempre temeu a chegada do dia em que não conseguiria ir para o festival. Por conta da pandemia, ele precisou passar por isso nesses dois últimos anos.

“Vamos esperar para que ano que vem aconteça, que volte do jeito que era realmente pra ser. Eu fico muito entristecido, mas sei que é necessário, diante dessa situação que a gente está vivendo, porque, se dependesse da gente, já estaríamos lá. Como não depende, temos que esperar. E esperar com amor, que é o que nos resta”, finalizou.

O torcedor encarnado Erick Bruno também é mais um apaixonado pelo Festival Folclórico de Parintins. De família tradicional da Baixa do São José (reduto do Boi Garantido), ele também partilha do sentimento de tristeza.

“O sentimento que a gente tem é de vazio. Infelizmente, é uma sensação de não estar completo, porque é algo que mexe com a gente, que move a nossa vida, querendo ou não. Chegar o mês de junho e a gente imaginar que não vai ver, pelo segundo ano consecutivo, o festival, que é uma data tão esperada por nós do meio bovino, é realmente algo triste”, ressaltou.

O torcedor encarnado Erick Bruno. Foto: Arquivo Pessoal

Erick destaca que, além da festa na arena do Bumbódromo, há todo o encanto que a Ilha Tupinabarana proporciona, dando a oportunidade de curtir a cidade ao lado dos amigos, andar pelas ruas de Parintins e viver a rivalidade.

“Acaba sendo frustrante e realmente triste a gente não poder ir para a ilha, viver a emoção, o choro, as surpresas, o vislumbre. E, infelizmente, mais um ano que nós não vamos poder vivenciar isso por causa da pandemia. Mas a gente segue tendo pensamentos positivos que daqui pro ano que vem as coisas melhorem. A vacina está aí para a gente realmente ter uma esperança de que ano que vem a gente possa vivenciar tudo isso”, completou.

Torcedor é de família tradicional da Baixa do São José (reduto do Boi Garantido). Foto: Arquivo Pessoal

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