Manaus, 30 de janeiro de 2023

Cultura

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Autor de obras gigantes em Manaus, Raiz Campos leva graffiti para exposição no RJ

Obra ficará na exposição até o dia 10 de fevereiro.

Da Redação

Uma obra do artista Raiz Campos, autor de pinturas gigantes feitas nas ruas de Manaus, ganhou espaço em uma exposição no Rio de Janeiro (RJ). Até o dia 10 de fevereiro, o graffiti segue na mostra, que reúne obras outros artistas do país.

A obra passou a fazer parte da exposição ‘Trama Canoê’, que acontece no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, no RJ.

O graffiti traz uma foto em homenagem ao Cacique Bina, da etnia Matis. A obra foi pintada com as técnicas da arte urbana em sintonia com a arte indígena em uma esteira de tupé, trabalhada pelos artesãos da Associação dos Artesãos de Novo Airão (AANA).

Autor de obras gigantes em Manaus, Raiz Campos leva graffiti para exposição no RJ. Foto: Arquivo Pessoal

Raiz afirmou que é a maior esteira indígena já pintada por ele, com mais de três metros de altura.

“A obra é um trabalho que já venho desenvolvendo com artesãos desde 2019, que traz a fusão da arte indígena e a urbana. Fiz um grafite em cima, com todo respeito, executando as técnicas do grafismo de forma transparente”, contou.

Segundo o artista, o trabalho valorizando os povos indígenas ocupa uma posição de destaque na exposição Trama Canoê. “A arte ficou como um guardião, bem na entrada, bem valorizada. Para mim, é uma honra, um sonho que estou realizando, desde 2018, pintando esteiras cada vez maiores”, disse.

CARREIRA ARTÍSTICA

A primeira exposição solo de Raiz com esteiras indígenas foi lançada em 2019, na Galeria do Largo, Largo de São Sebastião, Centro de Manaus. Uma de suas obras, ‘Grande Cobra Canoa’, desenvolvida em tinta spray em esteira de tupé, segue exposta no hall de entrada do espaço cultural do Amazonas.

Ainda no Centro de Manaus, outro trabalho do artista pode ser observado no muro da Rua 10 de Julho: um graffiti em homenagem ao cacique Raoni Metuktire Kayapo, liderança nacional dos povos indígenas.

Diversos muros, espalhados por Manaus, levam a assinatura do artista, que prioriza assuntos engajados com o desenvolvimento sustentável da Amazônia e a preservação da cultura indígena.

Um dos projetos de autoria dele, o ‘Muralizar: do Raiz ao Lana’, foi contemplado no edital ‘Prêmio Feliciano Lana’, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, como parte das ações da Lei Aldir Blanc, em 2020.

“O grafismo manauara carrega a identidade do estado e dos povos originários. O Amazonas reserva muitos talentos”, afirmou o secretário de Cultura, Marcos Apolo Muniz.

A iniciativa contemplada pelo edital promoveu uma oficina colaborativa para revitalizar o Muro do Bispo, no município de São Gabriel da Cachoeira (distante 320 quilômetros de Manaus), além de oficinas sobre técnicas do grafite e muralismo.

“Podemos chegar a mais pessoas que moram à margem da cena cultural. Incentivar as pessoas a buscarem o caminho da arte”, disse o artista, que nasceu na Bahia, mas ainda criança, morou na Vila do Pitinga, dentro da área indígena Waimiri Atroari, onde iniciou o grafismo.

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