A Amazônia ganhou destaque no Summit Tour do Festival Iguassu Inova 2025, realizado pelo Itaipu Parquetec, em parceria com a Itaipu Binacional e o Governo Federal, em Foz do Iguaçu (PR). A jornalista e doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia, Edilene Mafra, apresentou o Festival de Parintins como vitrine do turismo cultural amazônico, nessa sexta-feira (24).
No painel Festas, Música e Cultura Popular: Como o Brasil pode transformar patrimônio imaterial em vantagem competitiva, Edilene dividiu o palco com Izabela Fernandes Souza (Kaburé Maracatu) e Karol Duarte (Guiadas Urbanas), em um encontro que explorou como o patrimônio cultural pode impulsionar o turismo sustentável e fortalecer a economia criativa no Brasil.
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O debate reuniu pesquisadores, especialistas, empreendedores e gestores de cultura e turismo para discutir como as manifestações populares podem se consolidar como ativos estratégicos para o turismo e a economia criativa, fortalecendo a imagem do país e sua diversidade como diferencial competitivo.
Cultura amazônica e vantagem competitiva
Em sua apresentação, intitulada Do Patrimônio ao Protagonismo: como o Festival de Parintins transforma cultura, turismo e identidade em vantagem competitiva para a Amazônia, Edilene Mafra apresentou o Festival Folclórico de Parintins como um exemplo emblemático de integração entre cultura, economia e sustentabilidade.
Ela explicou que o festival foi criado em 1965, na cidade de Parintins (AM), para arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Desde 1966, passou a incluir a disputa simbólica entre os bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul) em um espetáculo que hoje ocupa o Bumbódromo e é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Na edição de 2025, o evento atingiu números recordes: 120 mil visitantes, R$ 184 milhões em movimentação econômica e 29 mil empregos diretos e indiretos.

Para Edilene, o Festival de Parintins expressa a complexidade amazônica em movimento: onde a ancestralidade encontra a inovação, a fé se transforma em linguagem artística e o coletivo renova o sentido da tradição. É o retrato de uma cultura que não sobrevive, se reinventa constantemente.
“Cada item, cada alegoria, cada toada e cada ritual carregam a voz dos povos da floresta. São expressões de pertencimento que movem uma economia inteira. Parintins é prova de que cultura e inovação não se excluem; elas se completam. É a ancestralidade transformada em futuro”, destacou a jornalista.
Branding, sustentabilidade e o poder da identidade
Um dos pontos fortes da apresentação foi o destaque ao papel das marcas e patrocinadores que compreenderam o valor simbólico do território amazônico.
A Coca-Cola Brasil, por exemplo, é parceira do Festival há 29 anos e se tornou um case mundial de branding cultural ao adaptar sua identidade: em Parintins, a marca vermelha ganha uma versão azul exclusiva, em respeito ao Boi Caprichoso e às tradições locais.
Mais do que um processo estético, a ação reflete respeito, empatia e enraizamento territorial, valores que transcendem o marketing e se conectam à essência da Amazônia, onde a floresta e o homem coexistem em equilíbrio e reciprocidade.

Além disso, a Coca-Cola lidera, em parceria com o Sebrae e o Governo do Amazonas, o programa Recicla, Galera, que já recolheu mais de 27 toneladas de resíduos recicláveis desde 2022. A iniciativa envolve catadores, torcedores e microempreendedores em uma ampla rede de educação ambiental e economia circular, traduzindo o compromisso com o desenvolvimento sustentável da região.
Economia criativa e moda amazônica
Edilene Mafra, que também dirige o Portal Edilene Mafra e a Agência Amazon Media & Checking, destacou que o Festival de Parintins é uma das engrenagens de uma cadeia criativa que movimenta o turismo e o empreendedorismo cultural na Amazônia.
Ela citou a Loja QBoi, tradicional empresa parintinense de suvenires com mais de 30 anos, que se reinventou para atuar durante todo o ano, transformando a memória afetiva do festival em negócios sustentáveis.
“A QBoi mostra que tradição e inovação podem caminhar lado a lado. Quando um símbolo cultural é trabalhado com propósito, ele se transforma em marca, em economia e em orgulho coletivo. As experiências que vivemos neste território nos marcam profundamente e queremos sim lembrar de algo que nos conecte com essas lembranças ”, ressaltou Edilene.
A jornalista também destacou a força da moda sustentável amazônica, que nasce do território e de suas ancestralidades. Mencionou o movimento Amazon Poranga Fashion, que tem reunido estilistas, artesãos e modelos para valorizar a estética regional e promover inclusão social.

Durante sua fala, Edilene usava um vestido, criação da marca Sapopema Biojoias, fundada pela artesã Regina Ramos, da comunidade amazonense Carão. As peças são produzidas com sementes, fibras e elementos naturais, transformados em biojoias que contam histórias. Regina está entre as artistas que demonstram a força produtiva, criativa e responsável de quem protege o seu território.
“Mais do que adornos, são memórias que se vestem. Cada peça nasce do olhar ribeirinho, do toque artesanal, do contato com os seus antepassados e da sabedoria das mulheres que vivem em harmonia com a floresta”, comentou Edilene, ao destacar que a moda amazônica é também ato de resistência e de continuidade ancestral.
A participação de Edilene Mafra no Summit Tour reafirmou seu papel como uma das principais vozes da comunicação cultural na Amazônia. Com domínio técnico, sensibilidade e vivência territorial, ela traduziu a força de uma região que é, ao mesmo tempo, berço de ancestralidades e laboratório de inovação.
“É preciso compreender que a Amazônia é uma sociobiodiversidade viva. Pensar em desenvolvimento e preservação neste território é entender que conservar o ambiente é também desenvolver o ser humano. A Amazônia é gente, é criação, é futuro. É o lugar onde a sabedoria dos povos originários se encontra com a tecnologia, onde a arte brota da terra e a sustentabilidade precisa fazer parte do cotidiano. Parintins mostra que, quando a cultura é respeitada, ela transforma destinos”, enfatiza Edilene Mafra.
Vivências que inspiraram o debate
Conheça as mulheres que apresentaram ações que impulsionam o turismo cultural.
- Karol Duarte: Arquiteta e técnica em turismo, fundadora do Guiadas Urbanas (RJ), pioneira em afroturismo e turismo de base comunitária.
- Izabela Fernandes Souza: Doutora em Letras, fundadora do Kaburé Maracatu (PR) e pesquisadora das expressões corporais e performáticas da cultura popular.
- Edilene Mafra: Doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM) e pesquisadora do Grupo Trokano. É diretora do Portal Edilene Mafra e da Agência Amazon Media & Checking, apresentadora da Rádio CBN Amazônia e referência em jornalismo cultural e cultura amazônica.


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Summit Tour
O Summit Tour é o braço voltado ao turismo dentro do Festival Iguassu Inova 2025, realizado de 22 a 25 de outubro em Foz do Iguaçu (PR).
Promovido pela Embratur e pelo Itaipu Parquetec, o evento propõe transformar o turismo em experiências sustentáveis, dar visibilidade a talentos locais e fomentar negócios com base na cultura, tecnologia e identidade territorial.
O painel em que Edilene participou sintetizou essa convergência: patrimônio cultural, turismo e sustentabilidade. Esse tripé representa não apenas políticas de desenvolvimento, mas uma filosofia de respeito aos povos e à natureza.














