Manaus, 18 de julho de 2024

Teatro

Fotos: Arquivo Pessoal
Fotos: Arquivo Pessoal Fotos: Arquivo Pessoal

Ator amazonense celebra uma década de profissão e cria conteúdos para quem deseja seguir na dramaturgia

Diogo Ramon relembra passos da carreira e fala sobre novos projetos.

Por Sabrina Rocha

Em 2021, o ator amazonense Diogo Ramon completa dez anos de profissão, dividindo o trabalho entre os palcos e as coxias (bastidores) dos teatros. Para celebrar a década, o artista decidiu compartilhar conhecimento e vem produzindo vídeos com dicas para quem deseja seguir carreira na dramaturgia. As produções vão estrear neste segundo semestre do ano.

Em entrevista ao Portal Edilene Mafra, o ator relembra os trabalhos da carreira, destaca as produções artísticas realizadas durante a pandemia, fala sobre os prêmios conquistados e dá detalhes dos projetos em andamento.

Diogo Ramon conta que os vídeos em produção serão publicados em suas redes sociais. “Tenho produzido vídeos dinâmicos para a internet, que focam em curiosidades sobre o ofício de ator. Por exemplo, explicando como tirar o registro profissional, quais as formas de se profissionalizar na área, as possibilidades de trabalho no mercado e também curiosidades sobre os bastidores de produções”, explica.

Peça ‘O rapto das cebolinhas’. Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o ator, os vídeos serão compartilhados em diferentes plataformas digitais. A expectativa é que a estreia aconteça em agosto ou setembro. A partir da primeira veiculação, o projeto deve seguir até dezembro, mês em que o amazonense fez sua primeira apresentação artística.

No período pós-pandêmico, o artista pretende aliar a produção de conteúdo às apresentações nos palcos. “Teremos ainda muita luta nesses primeiros meses pós-pandemia para encontrar os caminhos e equilibrar as câmeras e telas entre o olho no olho do presencial. Vejo um caminho de muita luta e resistência para a classe artística. Espero que continuem surgindo editais de apoio à cultura, que continuem sendo desenvolvidas políticas públicas de apoio e que o público queira nos assistir e prestigiar nosso trabalho”, ressalta Ramon.

Websérie ‘Endemia’

Nos últimos anos, o ator tem buscado diferentes maneiras para se manter atualizado e ativo no audiovisual. Ao longo da pandemia, Ramon transformou a casa em cenário para suas produções. Já as plataformas digitais viraram palco para as performances.

Um dos trabalhos produzidos recentemente é a websérie ‘Endemia’, que mostra a vida de sete manauaras durante o isolamento social. Roteirizada e dirigida pelo manauara, a série também retrata os problemas sociais que ficaram mais evidentes durante esse período.

Todos os vídeos da websérie foram produzidos a distância e cada artista gravou dentro da própria residência. Ramon comemora o resultado do trabalho, que ganhou o prêmio de melhor Projeto Ambiental no Festival Nacional de Audiovisual Cawcine do Rio de Janeiro. Além disso, com a produção, o ator conquistou o prêmio de diretor destaque, disputando com três artistas da Região Sudeste.

O projeto contou com o apoio da Prefeitura de Manaus por meio do Prêmio Manaus Conexões Culturais 2020, que recebeu recursos da Lei Aldir Blanc.

A série completa está disponível no canal do artista no YouTube: www.youtube.com/diogoramonoficial.

Ator em um evento. Foto: Arquivo Pessoal

Programa online EntrevistArte

No primeiro semestre de 2021, Diogo Ramon também produziu a primeira temporada da atração virtual ‘EntrevistArte’. O projeto contou com 12 entrevistas, realizadas com personalidades da cultura amazonense.

Os convidados são de áreas como teatro, dança, música, literatura, design, moda, entre outras.

Com o projeto, o ator pode se dedicar à área da Comunicação. “Sempre gostei de falar, de me comunicar, tanto que Jornalismo e Publicidade eram áreas que eu poderia ter seguido, caso não tivesse feito artes cênicas”, afirma.

As entrevistas podem ser encontradas no Instagram (@diogoramon) e no YouTube.

O projeto contou com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM) por meio do Prêmio Feliciano Lana, que também recebeu recursos da Lei Aldir Blanc.

Peça ‘Um bonde chamado desejo’. Foto: Arquivo Pessoal

Carreira

Diogo Ramon começou no meio artístico estudando música no extinto ‘Projeto Jovem Cidadão’ (PJC). Se formou no curso técnico de Artes Cênicas pelo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro e, aos 16 anos de idade, ingressou no curso superior de Teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Como ator, sua estreia aconteceu em 25 de dezembro de 2011, no ‘Concerto de Natal’, que era realizado no entorno do Teatro Amazonas, no Largo São Sebastião, Centro de Manaus. Ele continuou atuando no projeto por mais três anos.

A vida artística seguiu com participações em elencos de peças, como ‘Brasil: Arte e Cultura’ (2014) e ‘Um bonde chamado desejo’ (2015), e em produções mais recentes, como ‘O Rapto das Cebolinhas’ (2020-2018) e ‘A bicicleta do condenado’ (2017).

No audiovisual, fez participação na série ‘Boto’, em 2017, e no curta metragem ‘Novembros’, no ano de 2016.

Ramon também já comandou cinco espetáculos, entre eles, o ‘Concerto Maravilhoso de Natal’, realizado de 2013 a 2017. O espetáculo foi produzido e apresentado anualmente na Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, bairro em que o artista nasceu. Ao longo desse trabalho, o ator também exerceu a função de professor, ensinando técnicas teatrais para crianças, jovens e adultos.

O artista ainda desenvolveu espetáculos teatrais em outras escolas da cidade. Desde 2017, tem mantido um curso de oficinas de interpretação teatral que circula a capital.

Agora com 23 anos de idade, Diogo Ramon, que divide moradia entre Manaus e Goiânia, está finalizando o mestrado em Artes da Cena pela Universidade Federal de Goiás (UFG). “Sou manauara com um pé no Norte e o outro no Centro-Oeste do país”, destaca.

Prêmios conquistados na área de audiovisual. Foto: Arquivo Pessoal

Bisneto de uma paraibana e de um pernambucano que, segundo o ator, lutou na Guerra de Canudos, o artista propõe um projeto de mestrado que trabalha com a cultura caipira e sertaneja. A ideia é promover um diálogo entre o sertão e a cena no Brasil e no Estado de Goiás.

O ator afirma ser escutador, cantador e amante de música caipira e sertaneja. Uma de suas produções na área é o vídeo cênico ‘Ser Tão & i só lamento’, que participou da Mostra Cultural do 17º Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão da UFG em Goiânia.

Com as atuais produções, o artista busca incentivar os jovens e ampliar o acesso a conteúdos artísticos. Como artista local, ele deixa um recado ao público amazonense: “assim que acabar a pandemia, vá ao teatro, vá ao cinema. Assista espetáculos e filmes amazonenses. Valorizem os artistas da terra. Nós lutamos tanto. Nós precisamos de vocês. A arte salva vidas”.

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