Com coreografia impactante, linguagem poética e forte simbolismo cultural, o projeto Agô Pulsar Afro-Amazônico estreia circulação por escolas e praças públicas de cidades do Maranhão e do Pará, a partir desta terça-feira, 12 de agosto de 2025.
A proposta une arte e educação para narrar histórias de corpos negros e indígenas da Amazônia, por meio da dança contemporânea.
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Coordenado pelo artista amazonense Cairo Vasconcelos, o Agô Pulsar Afro-Amazônico é assinado pela Menina Miúda Produções Artísticas.
O projeto conta com patrocínio da Vale e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A proposta integra o espetáculo de dança Agô, que traz narrativas para gerar reflexões sobre violência, exclusão e invisibilidade dos povos tradicionais da região.
“Vamos circular por estados do Norte para levar uma mensagem de protesto e de crítica, inspirando reflexões e resistência por meio da arte. Vamos a regiões periféricas para tocar o coração das pessoas que talvez nunca tenham assistido a um espetáculo de dança. A Menina Miúda quer levar paixão a quem assiste e despertar o amor pela arte, com temas sensíveis como racismo e preconceito, mas de forma poética”, destacou o coordenador.
Para garantir acessibilidade ao público com deficiência visual, o espetáculo oferece o recurso de audiodescrição, em conformidade com as normas de inclusão em artes cênicas.

AGÔ PULSAR AFRO-AMAZÔNICO
Mais do que um espetáculo, o Agô Pulsar Afro-Amazônico é um projeto de arte e educação que une performance, memória e território.
A proposta é ocupar espaços públicos periféricos, levando uma mensagem comprometida com o tempo presente e com as urgências sociais. Escolas, praças e comunidades urbanas se transformam em palcos para uma experiência cênica que provoca inquietações.
A motivação do projeto parte de dados alarmantes sobre a violência na Região Norte. O Atlas da Violência 2024 (IPEA) revela taxas altíssimas de homicídios entre jovens negros nos estados do Amazonas, Pará e Maranhão. No Amazonas, 94,3% das vítimas eram negras. No Pará, 91% dos homicídios também atingem populações negras.
O Maranhão, embora com índices mais baixos, também apresenta desigualdades estruturais evidentes. O projeto nasce como uma forma de protesto e resistência artística frente às injustiças sociais e raciais.
MENINA MIÚDA PRODUÇÕES ARTÍTICAS
Criada em 2019, a Menina Miúda Produções Artísticas atua como um polo criativo, que entende as artes cênicas como ferramenta de transformação social.
A produtora é reconhecida pela articulação entre arte e educação em projetos que incluem teatro, dança e outras formas alternativas de expressão cênica.
No portfólio, estão espetáculos como ‘Dois Irmãos’ (2023) – inspirado na obra de Milton Hatoum, ‘Amélia’ (2024) e ‘Menina Miúda’ (2025), demonstrando o seu compromisso com uma arte provocadora, poética e transformadora.
Em sua fase mais madura, a Menina Miúda vem consolidando um estilo que valoriza temáticas amazônicas, memória e identidades. O Agô Pulsar Afro-Amazônico representa esse amadurecimento, ao colocar corpos negros e indígenas no centro da cena e ao promover conexões entre territórios distantes, mas culturalmente entrelaçados na região Norte.
CONCEPÇÃO ARTÍSTICA
A proposta cênica de Agô envolve dança contemporânea com referências das danças afro e indígena, figurino inspirado no ancestral, sonoridades amazônicas, além de artefatos simbólicos que remetem à floresta, aos Orixás e aos saberes dos povos originários. A rua é o espaço cênico vivo, onde o público e o chão compõem o rito.
Com duração de 45 minutos, o espetáculo é composto por nove cenas, que apresentam as temáticas: Opressão e violência; Resistência e memória; Corpo cerco; Terra devolvida; Sangue no asfalto; Canto das mães; Renascimento e esperança; Os invisíveis; e Favelas em chamas.
O coreógrafo do espetáculo, Wilson Junior, explica que cada elemento de Agô propõe mensagens presentes nas narrativas e expressões coreográficas, envolvendo características do folclore, cotidiano e tradições amazônicas.
“O Agô é uma expressão que articula o corpo como território sagrado, em que a dança se configura como um ritual permanente de resistência, no constante diálogo com a natureza, com os encantados, com os Orixás, com os ritos e com os saberes milenares”, revelou o artista.

CIRCULAÇÃO
O projeto inicia sua circulação pelo Maranhão, entre os dias 10 e 15 de agosto de 2025, com apresentações em praças e escolas das cidades de São Luís e Itapecuru-Mirim.
Em setembro, é a vez do Pará receber o Agô, com atividades entre os dias 2 e 7, em Ananindeua e Belém. As ações incluem oficinas, vivências e apresentações gratuitas.
As cidades foram escolhidas por seu histórico de exclusão cultural e por representarem territórios de resistência popular. Ao ocupar esses espaços com arte, o projeto visa democratizar o acesso à cultura e fortalecer identidades e pertencimento através da expressão corporal.
SINOPSE
O espetáculo cruza caminhos de corpos que enfrentam, carregam e preservam as memórias dos povos quilombolas e indígenas da Amazônia.
Com movimentos firmes, vozes silenciosas e gestos que contam o que os livros calam, a dança encena o tempo e o território. Na rua, na praça, na escola, o chão se torna palco e testemunha. Agô pulsa entre o ontem e o agora, e deixa no ar o que ainda precisa ser dito.
O espetáculo tem duração 45 minutos, e a classificação indicativa, é 14 anos.
FICHA TÉCNICA
- Direção: Cairo Vasconcelos
- Bailarinos: Pabi Xavier, Odara Konda, Bazilio Dos Santos e Thaysson Castro
- Coreógrafo: Wilson Junior
- Produção: Manu Balata (Maranhão) e Cristina Costa (Pará)
- Maquiagem e Visagismo: Eugênio Lima
- Figurino: Sioduhi
- Trilha Sonora: Viktor Judah, João Felipe Serrão (guitarra, violão, flautas), Abner Pires (percussão, bateria, baixo, violão)
- Acessibilidade: Marcos Corrêa (Cão Guia Acessibilidade)
- Comunicação: Edilene Mafra (coordenação e comunicação estratégica), Mayane Batista (assessoria de imprensa), Thayssa Castro (estratégia para redes sociais), Rafael Moraes (story maker), Marcelo Ramos (audiovisual), Hamyle Nobre (fotografia) e Lucas Alves (design gráfico)
PATROCÍNIO
O projeto Agô Pulsar Afro-Amazônico é assinado pela Menina Miúda Produções Artísticas. E por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), conta com patrocínio da Vale e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
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