Manaus, 16 de julho de 2024

Dança

Fotos: Jorge Saboia
Fotos: Jorge Saboia Fotos: Jorge Saboia

Corpo de dança lança vídeos que enaltecem presença negra na Amazônia

A criação e direção artística do projeto é de Ana Luiza Carneiro.

Com informações da assessoria

O corpo de dança ‘Fora das Sombras – Visibilidade Preta’ lançou dois vídeos de dança em exaltação à presença negra na Amazônia. A estreia dos clipes ocorre neste sábado (20/11), data de celebração do Dia da Consciência Negra.

Os vídeos estão sendo exibidos no Instagram do projeto (@foradassombras). A captação e edição é da produtora Alien Filmes. A direção artística do projeto é de Ana Luiza Carneiro.

De acordo com Ana Luiza, o projeto chega em um momento oportuno, já que cada vez mais se discute a presença negra na construção do Brasil e, principalmente, seu papel de existência e resistência na Amazônia brasileira.

“Hoje observo que existe um Brasil que se redescobre negro e uma Amazônia que começa a aceitar que suas terras e rios abrigaram e abrigam também o povo preto”, observou a a produtora.

Ana Luiza ressaltou outros fatores que colocam a negritude mais no centro das discussões. “O país vive um intenso debate e muitas ações afirmativas vêm reposicionando o povo negro na sociedade brasileira. O orgulho da pele, da cor, do cabelo e da cultura estão mais fortes e presentes na comunidade negra. Vejo isso nas ruas, na TV e na internet”, destacou.

O projeto foi contemplado pelo prémio Feliciano Lana na categoria afro- brasileira, e recebeu recursos da Lei Aldir Blanc.

‘Fora das Sombras – Visibilidade Preta’ lança vídeos de dança em exaltação à presença negra na Amazônia. Fotos: Jorge Saboia

Projeto

O projeto ‘Fora das Sombras – Visibilidade Preta’ nasceu da inquietação e de uma certa dose de indignação de Ana Luiza Carneiro quanto à sua origem amazônida. Ana é natural de Manaus e atua profissionalmente na dança.

A artista, que é militante da cultura popular, já foi linha de frente do carnaval amazonense na escola de samba Reino Unido da Liberdade. Atualmente, mora no Rio de Janeiro, local onde busca especialização em dança.

“Todas as vezes que fui apresentada a uma pessoa, a pergunta vinha na sequência: ‘Você é de que lugar?’ Eu não entendia e respondia: ‘Ué? Sou amazonense de Manaus'”, relembrou Ana Luiza. “Claro que a pessoa não se convencia e retrucava: “Achei que você era carioca ou baiana”. Essas colocações passaram a me incomodar com o tempo e a me fazer questionar o porquê dessa não aceitação”, afirmou.

O questionamento levou a profissional de dança a iniciar uma luta pela visibilidade preta no Estado do Amazonas.

“Por isso, criei o ‘Fora das Sombras’, para mostrar que existimos e somos muitos em Manaus e nas demais cidades que compõe o mapa humano do Estado”, explicou. “Me recuso a aceitar que nossa história e nossa ancestralidade sejam escondidas e caladas pelo racismo estrutural que, infelizmente, nasceu com o Brasil escravocrata e violento”, desabafou Luiza.

Ana Luiza Carneiro, idealizadora do projeto. Foto: Reprodução

Vídeos

As gravações foram feitas na Cachoeira da Marmota em Balbina, representando a formação do Quilombo do Tambor, no Rio Paunini, que ficou conhecido como Rio dos Pretos, na região de Novo Airão. A comunidade quilombola do Tambor, segundo relatos de seus moradores, está presente na região desde 1907, quando os primeiros ex-escravizados saídos de Sergipe e se instalaram na região, plantando banana, vivendo da caça, pesca e do extrativismo do cipó e da copaíba.

Outras cenas, foram gravadas no Largo São Sebastião, no Centro de Manaus. Conforme os produtores, as filmagens ocorreram em um dia movimentado. A ideia era mostrar a força, atitude e poder dos personagens que descendem do povo negro.

“Estamos dando o recado para a sociedade amazonense de que estamos e somos daqui também!”, finalizou Ana Luiza Carneiro.

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