A artista visual amazonense Anne Nascimento, de 29 anos, radicada em Berlim, vive um dos momentos mais expressivos de sua carreira. Estudante de Artes Livres e Escultura na prestigiada Kunsthochschule Berlin-Weißensee, ela desenvolve uma pesquisa artística expandida, que transita entre performance, curadoria, processos colaborativos e investigação de linguagens visuais.
Com sensibilidade para transformar elementos cotidianos em narrativas poéticas, Anne apresenta na capital alemã sua primeira exposição individual no país neste sábado (6/12).
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A mostra ‘Carta na Manga’, inspirada na coleta de cartas de baralho encontradas nas ruas de Berlim, evidencia o caráter experimental de sua obra, que se desdobra em múltiplas plataformas e tensiona fronteiras entre materialidade, memória e afeto. Na foto da instalação, Anne aparece diante de um grande painel montado com cartas, elemento central dessa nova fase criativa.
TRAJETÓRIA
A trajetória da artista tem raízes profundas em Manaus, onde realizou sua primeira individual na Galeria Etnia Amazônica e assinou a curadoria da mostra ‘O Lançamento’ (2018), no Ateliê da Rosa dos Anjos. Desde então, ela vem consolidando um percurso que articula com maturidade a produção autoral e a atuação na cena cultural contemporânea.
Esse amadurecimento ganhou projeção internacional quando Anne foi selecionada para a 36ª Bienal de São Paulo, integrando o programa ‘Raumstrategien’. Suas performances, apresentadas no evento, receberam destaque da crítica por explorar presença, corpo e deslocamento com profundidade e inventividade.
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ORGULHO DOS PAIS
Entre Manaus, São Paulo e Berlim, Anne Nascimento reafirma uma produção em constante expansão, confirmando seu nome como uma das vozes mais potentes de sua geração nas artes visuais brasileiras.
“É muito difícil uma artista amazonense se destacar na Europa. E é uma honra pra mim saber que o Norte chegou longe através dela”, celebrou a mãe da artista, a chef Sigryd Nascimento.
Anne também é sinônimo de orgulho para o padastro, Hudson Oliveira, que, desde que chegou na vida da artista, contribui para seu desenvolvimento pessoal e intelectual. Foi ele quem ensinou para Anne, por exemplo, a arte da marcenaria que, hoje, é algo presente nas exposições em que participa.
“Somos muito orgulhosos do que ela construiu e vem construindo. Sabemos que é uma realidade muito diferente e, mesmo assim, ela se vira e dá conta do recado”, destacou Hudson.