Manaus, 12 de julho de 2024

Cinema

Documentário narra era de ouro da música de beiradão nas rádios de Manaus

Filme tem entrevistas com Teixeira de Manaus e outros ícones.

Da redação

O jornalista e músico Paulo Moura resgatou a era de ouro da música de beiradão nas rádios de Manaus em um documentário. O lançamento do filme ‘O áureo da música do Beiradão nas rádios manauaras (Difusora e Rio Mar) na década de 1980’ está previsto para ocorrer na sexta-feira (16/4).

Com pouco mais de 50 minutos, o documentário conta com entrevistas com ícones do gênero, como Pinduca, Carlos Santos, Teixeira de Manaus, Chico Caju, Chiquinho David, Oseas da Guitarra, André Amazonas, Magalhães da Guitarra; radialistas como Valdir Correa e Tom Claro; estudiosos do gênero, como os músicos Rosilvado Cordeiro e Eliberto Barroncas e o pesquisador Rafael Norberto, além de ouvintes da época, como Gildomar dos Santos.

“Além disso, o filme conta com fotos, áudios, LPs, documentos e materiais de divulgação dos eventos da época. Também são abordadas as dificuldades que os músicos do beiradão enfrentaram para chegar à mídia radiofônica, relatos de superação do estigma do povo interiorano”, revela Paulo.

De acordo com o idealizador do projeto, o documentário conta com imagens produzidas desde 2015, acervo do pesquisador e peças coletadas em antiquário com apoio do jornalista e professor Aldrim Almeida.

O produtor Ivano Cordeiro percorreu instituições, como o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), e visitou artistas e emissoras de rádio em busca de fotos, vídeos, recortes de jornais e revistas da década de 1980.

O material, grande parte oriundo de acervos particulares, foi selecionado e trabalhado pelo diretor Breno Bigi. O objetivo era recuperar a história das estrelas da música de beiradão nas emissoras de rádio Rio Mar e Difusora.

Segundo Paulo Moura, as parceiras com rádios e radialistas na década de 1980 estão entre os aspectos que explicam o crescimento do gênero musical no Amazonas. “São parcerias que uniram forças para difundir e massificar a novidade que animava os ‘arrasta-pés’ do beiradão”, ressaltou.

O jornalista destacou a influência dos radialistas como Zé Milton, Tom Claro, Paulo Gilberto e Carrapeta. Ele também citou programas que abasteceram as comunidades interioranas, como ‘Festas e Melodia’ e ‘Recado para o Interior’.

O filme é resultado de um trabalho de conclusão de curso que teve como referência a dissertação de mestrado do pesquisador Rafael Branquinho, que se dedicou ao estudo da música amazonense.

Na delimitação do tema, Paulo desenvolveu o roteiro focando na parceira entre a música do beiradão e as rádios locais, um entrosamento que conquistou gerações de ouvintes e fez a música amazonense ressoar dentro e fora do Estado.

O filme pode ser finalizado depois de ser contemplado pelo edital Conexões Culturais – Lei Aldir Blanc, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

‘Beiradões’

O beiradão é autêntico gênero musical do Amazonas. Cunhado pelo político e historiador amazonense Álvaro Maia, em romance publicado em 1958, o termo ‘beiradões’ designava as margens dos rios da Amazônia ribeirinha.

Mais tarde, o termo passou a representar também a música que se desenvolvia nos rincões da região por meio das intensas trocas culturais que tinham a beira do rio como principal ponto de difusão.

Influenciado pela música caribenha que soava nas rádios dos países vizinhos e nas embarcações que por eles navegavam, o gênero se desenvolveu a partir de talentos como o do saxofonista amazonense Teixeira de Manaus, que se tornou um dos principais representantes desse gênero tipicamente regional e que teve seu auge na década de 1980.

A música de beiradão

Com influência da cúmbia, lambada, merengue e outros ritmos caribenhos, a música de beiradão nasceu nas festas do interior, cresceu nas rádios e projetou um estilo de música tipicamente amazonense, com característica própria de letras curtas e solos dançantes de guitarra e saxofone.

“A música do beiradão está muito ligada às festividades, à final do campeonato de futebol, à festa sacrossanta, a um comício, um batizado. Na década de 1980, ela chegou a disputar a audiência nas rádios com o rock nacional, com o flashback…”, explicou Paulo.

Com a consolidação do ‘sotaque’ musical amazonense da guitarra e do saxofone na música do beiradão, a música amazonense foi alçada a lugar de destaque no cenário nacional, apadrinhada pelo já famoso cantor, compositor e produtor de carimbó, o paraense Pinduca, além do cantor, compositor e comunicador Carlos Santos. Estas e outras histórias estão presentes no documentário.

Origem e inspiração

Natural de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, Paulo Moura é filho de radialista e passou a infância nos anos 1990 sob a influência daquele movimento que teve seu auge na década anterior, mas que continuava liderando a preferência dos ouvintes que ligavam para a rádio e pediam para tocar as estrelas dos amazonenses do sax e da guitarrada.

“A música do beiradão povoa meu imaginário desde criança. Minha mãe era radialista, na Radiobrás, e tocava essas músicas em São Gabriel da Cachoeira, que faz fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Eu cresci com essa sonoridade. Cheguei, ainda criança, a ver um show do Teixeira de Manaus. Isso sempre povoou minha mente”, relatou o músico.

Paulo lembrou, ainda, que a música do beiradão é ligada às festividades do interior e chegou a disputar a audiência dos ouvintes junto a outros gêneros de sucesso da época, como o rock nacional e flashback, mas sempre foi o som preferido dos caboclos e indígenas.

Documentário

Com lançamento previsto para o 16 de abril, às 20h, o documentário ficará disponível nas plataformas YouTube e Vimeo.

Outras informações estão disponíveis na página do Facebook, sob o título ‘O áureo da música do Beiradão nas rádios manauaras (Difusora e Rio Mar) na década de 80’.

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