Manaus, 20 de setembro de 2021

Bares e Restaurantes

Foto: Divulgação
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Conheça a Jambucana, cachaça produzida com jambu da Amazônia

O processo de fabricação aproveita toda a planta: raiz, talos e folhas.

Da redação

Nesta segunda-feira, 13 de setembro, o Brasil celebra o ‘Dia Nacional da Cachaça’. Com o objetivo de homenagear a típica bebida brasileira, o Grupo Dedé desenvolveu um destilado que leva o sabor da Amazônia, a Jambucana, produto criado com jambu. Conheça a bebida lançada pela empresa amazonense que promete conquistar o mercado internacional em breve.

O Grupo Dedé oferece várias opções de cachaças criadas pelo chef André Parente, mais conhecido como ‘Dedé’. Diante da admiração pela bebida e com o propósito de deixar uma marca registrada com os ingredientes da Amazônia, o chef lançou a Jambucana, em 2015.

Dedé também lançou outros rótulos de diferentes sabores que têm conquistado o paladar do público no cenário nacional e internacional.

Chef Dedé Parente. Foto: Divulgação

Jambucana, a cachaça de jambu

De acordo com Rogério Perdiz, sócio proprietário da Cachaçaria do Dedé e diretor administrativo do grupo, o projeto de desenvolvimento da bebida começou a ser vislumbrado em 2014. A intenção era criar um produto que unisse a Amazônia e Minas Gerais, estado reconhecido pela diversidade das cachaças artesanais e de qualidade.

“Sempre tivemos rótulos de diversas regiões do Brasil, sendo os grandes polos produtores Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Nordeste. Com isso veio a inquietação de termos um produto com algum ingrediente amazônico. Começamos a pensar em vários ingredientes e uma das ideias foi utilizar o jambu, uma erva amazônica, muito utilizada na culinária”, explica.

Foram dois anos de pesquisa para o desenvolvimento da bebida. A ideia era dar um toque amazônico à típica cachaça brasileira.

“A partir do momento em que determinamos que seria utilizado o jambu, não era simplesmente misturar. Foram feitas mais de 30 simulações. Dedé começou a desenvolver as composições e um master bland, de Minas Gerais, fazia as análises técnicas, até chegar à fórmula”, conta Perdiz.

O jambu se tornou matéria-prima utilizada na produção de bebida alcoólica. O processo de fabricação aproveita toda a planta: raiz, talos e folhas.

Bebida mista, a cachaça traz, em sua composição, a essência de jambu, melado de cana, extrato de canela, cravo, gengibre, ácido cítrico e cachaça do Dedé Prata.

Como a Jambucana começou a ter um maior volume de produção, começou a ficar inviável enviar o jambu in natura até o produtor, que fica em Minas Gerais. Ao procurar alternativas, os desenvolvedores encontraram um pesquisador em Belém que desidrata a erva, produzindo um jambu pulverizado, o que facilitou o processo e o transporte.

Segundo Perdiz, a bebida não pode ser chamada de cachaça no rótulo, devido a legislação sobre o destilado que só permite a classificação se tiver o uso exclusivo da cana. Mas, ela é tratada como tal num mercado com mais de 3 mil rótulos de cachaça.

O produto possui o selo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que garante a sua exportação.

Também tem o selo da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), que assegura a sua qualidade e originalidade de um produto artesanal.

Por dois anos consecutivos, a Cachaçaria do Dedé registrou um crescimento na venda na ordem de 23% do produto. “Isso indica que há uma aceitação do público. Estamos posicionando o produto de valor agregado, diferenciado, exclusivo, sofisticado, para uma saborização consciente, sem excessos, o que torna agradável a degustação da Jambucana”, comemora Perdiz.

O jambu se tornou matéria-prima utilizada na produção de bebida alcoólica. Foto: Divulgação

Combinações sugeridas

O Dedé Parente sugere que o apreciador tome a bebida gelada. A dica é consumir o produto com petiscos salgados.

O chef indica a Costelinha do Dedé, o Joelho de porco e a Paçoca, que harmonizam com a bebida. A combinação terá a suavidade e o aveludado da cachaça contrastando com o sabor mais salgado.

“A Jambucana deve ser tomada como se fosse uma degustação, onde é recomendado apreciar a bebida. É um degustar lento para que possa sentir todos os aromas, as sensações, notas das essências. O ideal é tomá-la bem gelada, num copo adequado que favoreça os aromas”, recomenda Dedé.

O processo de fabricação aproveita toda a planta: raiz, talos e folhas. Foto: Divulgação

Onde apreciar

Em Manaus, as bebidas do Grupo Dedé podem ser encontradas nas vitrines das unidades do Parque 10, shoppings Manauara, Amazonas e Ponta Negra. Nesses locais, os clientes têm a oportunidade de conhecer e saborear diversos rótulos, em especial a Jambucana.

Grupo oferece diferentes cachaças. Foto: Divulgação

Internacionalização

No Brasil, a Jambucana está presente em 17 estados e a ideia de exportação surgiu há três anos. O processo para a venda no exterior é demorado e conta com várias etapas, como o estudo de mercado e as estratégias de venda, além da parte legal de registrar a marca em outro país, nos órgãos de controle e entender os canais de distribuição.

Segundo o Grupo Dedé, todas essas fases já foram superadas e a expectativa é que a primeira carga chegue aos Estados Unidos em até três meses.

“A Amazônia é uma marca que sozinha vende e no exterior ela é muito desejada. As pessoas querem ter produtos, elementos e experiências que envolvam a Amazônia. Então, com o crescimento e o reposicionamento da cachaça no mercado brasileiro e mundial, haveria espaço para a Jambucana conquistar esse espaço”, projeta o grupo.

Segundo Rogério Perdiz, o público estrangeiro que já teve a oportunidade de experimentar a bebida no restaurante recebeu o produto de forma positiva. Muitas dessas pessoas compram e levam a cachaça para os seus países de origem.

“Já recebemos vídeos e posts nas redes da Jambucana sendo consumida na Alemanha, Inglaterra, Portugal, Estados Unidos e outros países. É uma bebida que tem nicho de mercado”, conclui o diretor administrativo.

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Conheça o jambu

O jambu é uma erva típica da Região Norte do Brasil, especificamente dos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. Facilmente encontrado em feiras e mercados locais, o produto é vendido em maços.

O item é muito utilizado na culinária regional, sendo ingrediente fundamental na preparação de pratos típicos como o tacacá e o pato no tucupi.

O diferencial desta erva não é especificamente o sabor, mas a sensação de dormência e formigamento que causa nos lábios, língua e céu da boca, o que proporciona uma experiência gastronômica exótica.

História

No período colonial, a cachaça era símbolo de resistência contra a dominação portuguesa no Brasil.

A legalização da bebida só foi possível após uma revolta popular contra as imposições da Coroa portuguesa, conhecida como ‘Revolta da Cachaça’, ocorrida no Rio de Janeiro.

A data que celebra o Dia Nacional da Cachaça foi aprovada em outubro de 2010 pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados como resultado de Projeto de Lei (PL) do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).

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