O grupo manauara ‘Delírio Cabana‘ lança EP plataformas digitais, que surgiu no curso do Rio Amazonas entre Manaus e Santarém (PA). O quarteto é formado por Bruno Mattos, Gabriella Dias, Luli Braga e Nando Montenegro. Ouça.
O EP conta com seis faixas, e recebe o nome da banda porque reflete memórias e emoções que viemos acessando desde o nosso encontro.
“Algumas composições antecedem a formação do grupo, mas mergulham em sentimentos que se sucederam daí, com nossas idas e vindas a São Paulo, Manaus, Santarém e Belém. Falam de saudade, desejo e liberdade, na perspectiva de quatro amigos migrantes que carregam lembranças dos rios e temperos de casa”, disse Luli Braga.
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SOBRE O EP
A história começou em 2023, quando os quatro músicos viajaram de Manaus, no Amazonas, até Alter do Chão, no Pará.
Hospedados numa cabana, passaram duas semanas criando, convivendo e experimentando sons. Dessa vivência nasceu uma cabana que, além de abrigo, virou metáfora de encontro: agora feita de vozes, ritmos e afetos apresentados em seis faixas autorais que compõem o EP homônimo ao grupo: Delírio Cabana.
O EP abre com a canção ‘Tempero’, já lançada como single, composição de Nando Montenegro que sintetiza a proposta do grupo: juntar células rítmicas da música tradicional da Amazônia às camadas da MPB contemporânea, do pop e da música latina.
Na sequência, ‘Ânima’ mergulha na intimidade da entrega. É a música brega-pop do grupo, em um trocadilho entre o arquétipo feminino de jung “ânima” e o verbo animar, convida o ouvinte a se deixar ser masculino e feminino como se quer ser.
A música ‘Guaraná’, escrita pelas mãos dos quatro integrantes, traz versos que atravessam a noite e amanhecem em ritmo de carimbó, com cordas de Caio Britto (violoncelo) e Diego Alessandro (violino).
‘Gengibirra’ revisita o bolero-brega com teclados de Lucas Mesquita. Já ‘Quando Você Vier (Tucumã)‘ canta saudade em ritmo de xote e melodia guiada pela sanfona de Danilson Sampaio.
O encerramento vem com ‘Chove Não Molha’, composição de Bruno que brinca com a programação de chorinho que acontece toda sexta-feira, no Lanche da Dona Glória, em Alter do Chão.
ARRANJOS MUSICAIS
Os arranjos são de Bruno Mattos, que também executa as linhas de baixo, guitarra e violão das faixas.
A percussão é de Tércio Macambira, e os sopros são de Marcelo Martins (trompete), Francirbone (trombone) e Crhistofer Santos (saxofone), além das cordas de Caio Britto (violoncelo) e Diego Alessandro (violino) e da sanfona de Danilson Sampaio em ‘Quando Você Vier’.
Divididas entre os quatro integrantes, as vozes formam as texturas e harmonias vocais do Delírio Cabana.
Ouça aqui:
PRODUÇÃO
A produção musical é assinada por Lucas Cajuhy e Bruno Mattos, com Cajuhy também responsável pela engenharia de gravação, mixagem e masterização, além da criação de beats que dialogam com a tradição percussiva.
Visualmente, o trabalho é acompanhado por ensaio de Laryssa Gaynett e uma série de visualizers dirigidos por Bruno Belch, em que cores, sementes, corpos, figurinos e expressões traduzem o repertório em imagem.
O styling é de Hendryl Nogueira, com figurinos e acessórios da marca Yanciã Amazônia, que valoriza artesãos e matérias-primas regionais. As peças manuais autorais da marca amazonense Glitch também compõem o visual da banda.
SOBRE OS ARTISTAS
Cada integrante traz uma história que fortalece o coletivo.
- Luli Braga – de Manaus, acumula experiências desde 2020, quando lançou seu álbum de estreia, Sinuose, seguido de apresentações em festivais como SeRasgum (PA), estúdio Showlivre (SP) e, mais recentemente, no Festival Sou Manaus Passo a Paço 2025. Residiu em São Paulo/SP por dois anos, período durante o qual transitou por diversos centros e espaços culturais, como CCSP, Ocupação 9 de Julho, Mundo Pensante, Picles, entre outros.
- Gabriella Dias – também de Manaus, é formada em Licenciatura em Música pela UFAM. Cantora e professora de canto, apresentou o espetáculo Canto das Águas no Teatro Amazonas (2019), foi atração do Sou Manaus Passo a Paço 2022 e lançou singles autorais como Rio Negro Sazonal, que dialoga com o ciclo das águas amazônicas.
- Nando Montenegro – manauara radicado em Belém, é formado em Produção Musical pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e em Canto Popular pela EMESP Tom Jobim; lançou em 2025 seu primeiro EP solo, RUMO, e desde 2022 mescla rock alternativo e manifestações populares amazônicas no trio Batuc Banzeiro, tendo passado por eventos como TedX Amazônia (2024), Sou Manaus Passo a Paço 2024 e Festival Vozes da Amazônia 2023 (Casa Natura Musical – SP).
- Já Bruno Mattos, manauara em São Paulo, é multi-instrumentista, arranjador e diretor musical; também integrante do Batuc Banzeiro, é formado em Música pela Faculdade Souza Lima (SP) e especializado em arranjo pela EMESP, integra a banda do mestre de carimbó Silvan Galvão, toca baixo no grupo baiano Flerte Flamingo e acompanha artistas como Luê, Liège, Marcelo Nakamura e Gabi Farias.
Com shows já realizados em Parintins, Alter do Chão, Manaus e São Paulo, o Delírio Cabana apresenta agora o registro que consolida sua história e entrada no mercado fonográfico, trazendo para o público suor e encantaria, do rabo da noite à boca do dia.

FAIXA A FAIXA
- ‘Tempero’ é sobre aquele gostinho que fica na boca depois que a gente prova algo gostoso. Não é exatamente sobre saudade, acho que tá mais para o desejo de repetir a dose” (Nando Montenegro)
- ‘Ânima’ veio de um trocadilho entre o verbo animar e o arquétipo de Jung que seria a parte feminina das pessoas, expressando como alguns encontros têm o poder de fazer a gente sentir as coisas com mais leveza. Com os versos da Raidol, a música ganhou profundidade, trazendo a ideia da saudade e da distância dos rios Guamá e Negro, que banham Belém e Manaus. É uma canção de desejo, entrega e de estar confortável para ser quem é, aceitando e manifestando a parte feminina dentro da gente. (Bruno Mattos)
- ‘Guaraná‘ é uma canção de um tempo-espaço onde o real e o fantástico se misturam. O arranjo tem um mistério típico das noites de beira de rio enquanto a letra pinta cenas de uma paixão que parece mais um feitiço. A música faz referência ao Rio Tapajós e a rodas de carimbó, fazendo referência a Alter do Chão onde formamos o Delírio Cabana. Sem dúvida é a faixa que traz a encantaria amazônica pro nosso EP. (Nando Montenegro)
- ‘Gengibirra’ é uma música de superação. Ela traz essa coisa de ter o coração partido por alguém, passa pela raiva, mas termina numa reflexão sobre amor próprio, que a gente pode fazer o nosso lugar onde a gente quiser e nossa felicidade longe de relações abusivas que nos fazem sofrer. (Bruno Mattos)
- ‘Tucumã’ é uma música que fala de saudade, né? De alguém que foi embora de Manaus pra pessoa amada que ficou. E aí eu acho que tem essa analogia da saudade da pessoa amada e das memórias afetivas de Manaus através da culinária. Quando a canção diz ‘meu bem, quando você vier, traga uma porção daquele nosso tucumã? Algumas coisas fazem falta até demais, mas nada mais que o nosso dengo de manhã’, ela tá falando dessa experiência nostálgica que é estar longe da nossa cidade e dos nossos amores. (Gabriella Dias)
- ‘Chove não molha’ remete a festa, a essa energia de gente, de descontração e de alegria que acontece no Chorinho do Lanche da Glória, lá em Alter do Chão, e fala também sobre um flerte, né? Um flerte que acontece nesse cenário de troca de olhares, com a figura do boto. Pra mim é muito saudosista porque retrata o cenário onde a banda nasceu. E é uma música muito alegre, que traz na poesia o flerte de uma forma descontraída, e com elementos da nossa cultura. (Gabriella Dias).