No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, é importante a conscientização sobre a busca por uma melhor qualidade de vida para pessoas que vivem no espectro. As massagens beneficiam crianças autistas.
Além do tratamento multidisciplinar, focado no desenvolvimento das habilidades sociais, de comunicação e comportamentais, terapias complementares vêm ganhando espaço na rotina de autistas.
Entre elas está a massoterapia, terapia que utiliza o toque e a manipulação do corpo para promover relaxamento, aliviar dores e melhorar o bem-estar físico e mental.
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Uma revisão publicada na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos aponta que estudos clínicos comprovam que as massagens reduzem a ansiedade de crianças com TEA, melhoram a comunicação social e favorecem a formação de proximidade e vínculos com os pais.
O mecanismo é fisiológico: o toque estruturado estimula o sistema parassimpático, parte do sistema nervoso responsável por desacelerar o organismo e promover o descanso, e reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.
O resultado é uma resposta de relaxamento em crianças que, por características do espectro, operam com frequência em estado de alerta e apresentam hipersensibilidade sensorial.
CUIDADOS
A aversão ao toque é um dos principais desafios no atendimento a crianças TEA. Professor dos cursos técnicos de Massoterapia e Estética do Centro de Ensino Técnico (Centec), em Manaus, Marcos Venicius Borges de Souza orienta terapeutas e famílias sobre como contornar essa barreira.
“Tudo é uma questão de adaptação durante a atividade. Tem gente que permite ser tocado na região do ombro, mas não na região lombar. O ideal é trabalhar uma parte de cada vez, sempre dosando a pressão para que a pessoa sinta conforto”, afirma. Gestos e reações durante a sessão indicam ao terapeuta onde avançar ou recuar. O vínculo, diz ele, se consolida ao longo de algumas sessões.
TÉCNICAS
Algumas das técnicas mais comuns da massoterapia incluem:
- Deslizamento (movimentos suaves e contínuos para aquecer os tecidos),
- Amassamento (compressões rítmicas que aliviam tensões musculares),
- Fricção (movimentos mais profundos para atuar em pontos de dor),
- Percussão (batidas leves e rápidas que estimulam a circulação) e o longamento, usado para melhorar a mobilidade e relaxar o corpo.
Além delas, o Shiatsu, método japonês que trabalha com pressão em pontos específicos do corpo, também é indicado pelo professor para pacientes com TEA.
A técnica, que utiliza pressão com os dedos ou palmas da mão, favorece a percepção corporal e condiciona movimentos progressivamente mais amplos, respeitando o ritmo de cada criança.
Os óleos essenciais entram como recurso complementar. Para crianças com agitação intensa, Marcos indica lavanda diluída a 2% em óleo vegetal para aplicação na pele durante a massagem. Nos casos em que a dificuldade envolve foco, sugere alecrim ou óleos cítricos, como laranja, aplicados no início do dia, antes da escola.
O Massoterapia defende que os próprios pais podem aplicar técnicas simples em casa, com orientação. “Uma massagem rápida de cinco minutos nos pés, antes de dormir, já ajuda muito. O paciente com agitação intensa não vai permitir que você trabalhe por muito tempo, então você adapta”, explica.
A vantagem dos pais é o vínculo preexistente com a criança. Marcos ressalta que o profissional de massoterapia pode treinar a família para realizar as manipulações em casa, com orientação sobre técnica, pressão e uso correto dos óleos.
“Acontece muito de os pais terem uma facilidade maior do que o terapeuta, porque a criança já confia neles. Esse treinamento para os pais poderem ajudar suas crianças no dia a dia é muito interessante”, conclui o professor.