Manaus, 24 de julho de 2026

Dança

Foto: Divulgação/Ateliê 23
Foto: Divulgação/Ateliê 23 Foto: Divulgação/Ateliê 23

Videodança com bailarinas se inspirou em histórias que rondam o Hotel Cassina

Ateliê 23 traz como protagonistas Ana Camargo e Ingrid Frazão.

Da redação

A companhia Ateliê 23 divulgou, nesta semana, a videodança ‘Cabaré in Process’. As performances têm como protagonistas as bailarinas Ana Camargo e Ingrid Frazão. Os experimentos em dança e atuação são inspirados em histórias que rondam o Hotel Cassina, situado no Centro de Manaus. No período da Belle Époque na capital, o espaço, hoje restaurado, era conhecido como Cabaré Chinelo.

A videodança ‘Cabaré in Process’ está disponível no Instagram e no YouTube da companhia (@atelie23).

O vídeo faz parte da programação do Combo 23, projeto contemplado no Edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), por meio da Lei nº 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc.

Foto: Divulgação/Ateliê 23

Segundo o diretor Taciano Soares, o ‘Cabaré in Process’ marca o início do processo criativo do novo espetáculo do Ateliê 23, que tem estreia prevista para 2022.

Ele conta que, em dezembro de 2020, a companhia realizou um seminário de dois dias com Narciso Freitas, mestrando em História na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e participação de atores, atrizes, bailarinos, artistas circenses, sobre a prostituição no Amazonas no século passado, o que resultou nesta primeira tradução em audiovisual.

Foto: Divulgação/Ateliê 23

“É uma semente que plantamos e temos certeza que será um passo muito importante na nossa caminhada. Esse processo é a última ação do Combo 23, que propõe atividades dentro da perspectiva de pesquisa e manutenção do grupo e, a partir da pesquisa, agora vamos reverberar em cena o que ouvimos durante o seminário e experimentar possibilidades sobre o lugar da mulher e como a prostituição de fato se deu na época da Belle Époque”, comenta.

De acordo com Taciano Soares, no segundo semestre deste ano, um grupo de estudos será montado para dar continuidade à investigação. “Para, em 2022, começarmos a construir o espetáculo com um processo de sustentação histórica de um discurso e Narciso Freitas tem sido um aliado neste novo lugar”, completa.

Foto: Divulgação/Ateliê 23

Adaptação para redes sociais

Por conta do isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, o ‘Cabaré in Process’ migrou para as plataformas digitais. O processo foi coordenado por Eric Lima, com apoio de Laury Gitana, Wilas Rodrigues e participação das bailarinas Ana Camargo e Ingrid Frazão, que também fizeram parte do seminário.

“A adaptação foi feita com o que é possível ser traduzido para as redes, que possa ser visto em celulares e computadores, mas sem perder a capacidade de conexão com o público, que é sempre nosso principal objetivo. Pensamos numa versão que compilasse tudo que ouvimos e tem um apelo feminino muito forte no contexto do cabaré que o Narciso trouxe para nós”, destaca Eric Lima. “Tudo isso embalado pela trilha que tivemos acesso durante o processo, como a música ‘Judia Rara’, que usamos de fundo para construir a cena”, diz.

O ator reforça que a produção aconteceu à distância, com base em um roteiro sobre as questões relacionadas às mulheres e traduzidas em imagens. “A Ana Camargo e a Ingrid Frazão também têm relação com edição de vídeo, captação de imagens e fotografia. Ela trabalha com isso e colocou em prática nesta proposta”, comenta o artista.

História do Hotel Cassina

Localizado na esquina das ruas Bernardo Ramos e Governador Vitório, o antigo Hotel Cassina foi construído em 1899, tornando-se o primeiro estabelecimento de hospedagem de primeira classe em Manaus.

O nome é atribuído ao proprietário, Andrea Cassina. Segundo informações da Prefeitura de Manaus, ele era um comerciante italiano que, como tantos outros imigrantes, buscavam na riqueza do extrativismo da borracha oportunidades de ganho no comércio.

Hotel Cassina, construído em 1899, foi restaurado recentemente. Foto: Marcio James/Semcom

Ateliê 23

Em sete anos de estrada, o Ateliê 23 tem base no Centro de Manaus desde março de 2015, na Rua Tapajós, 166. A companhia possui 16 espetáculos no repertório, entre eles sucessos de público e crítica como ‘Helena’, selecionado para a mostra a ponte: cena do teatro universitário do Itaú Cultural e indicado ao Prêmio Brasil Musical; ‘da Silva’ e ‘Ensaio de Despedida’, indicados para o projeto Palco Giratório, do Sesc; ‘Vacas Bravas’ e ‘Persona – Face Um’. Este último colocou em pauta o tema transfobia e ficou um ano e meio em cartaz.

Um dos poucos espaços culturais privados de Manaus, a casa da companhia de teatro recebe muitos grupos e artistas independentes para realizar ensaios, temporadas de espetáculos, encontros, lançamentos de livros, apresentações acadêmicas, debates e oficinas.

O local já sediou ações promovidas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Fundação Nacional de Artes (Funarte), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Serviço Social do Comércio (Sesc).

Ao longo de cinco anos, mais de 7 mil pessoas passaram pelo equipamento cultural, que tem a sala de espetáculos com capacidade para 40 lugares. Antes da pandemia, o Ateliê 23 abria as portas para o público todos os fins de semana, de fevereiro a dezembro.

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