Manaus, 18 de julho de 2026

Dança

Foto: Divulgação
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Solos inéditos de dança marcam o retorno de artistas mulheres entre 50 e 70 anos aos palcos

Apresentações devem ocorrer em agosto, em um evento gratuito.

Com informações da assessoria

Três mulheres com trajetórias marcantes na dança retornam ao palco em um processo criativo que celebra o tempo, o corpo e a potência da experiência. Cléia Alves, 57 anos, Susanna Cláudia, 61, e Jeanne Abreu, 69, integram o projeto ‘O Tempo no Corpo, um Ateliê de Criação idealizado e dirigido por Francis Baiardi.

A iniciativa resultará na criação de solos autorais das três artistas, com apresentação marcada para agosto, em evento gratuito com data e local a confirmar.

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A proposta nasceu do desejo de valorizar trajetórias muitas vezes esquecidas na cena artística: corpos longevos que seguem pulsando dança.

Francis Baiardi, referência na dança amazonense, é quem conduz o processo. Com uma trajetória dedicada à valorização da arte e à preservação da memória cultural local, ela atua como propositora, pesquisadora, professora e diretora artística do Ateliê.

“Estamos trazendo à tona a história, a memória e a resistência de mulheres que continuam ativas e potentes na arte, mesmo diante das dificuldades e do etarismo. A arte não envelhece, e o corpo que dança carrega sabedoria, potência e beleza que precisam ser celebradas”, afirma.

CORPO, ARTE E RESISTÊNCIA

Cada artista desenvolve um solo próprio, partindo de suas vivências e da escuta sensível do corpo. Para Cléia Alves, o reencontro com a dança tem sido também um retorno a si mesma.

“Estou em imersão nesse processo criativo, com práticas somáticas e improvisações. Esses encontros nos proporcionam conexões e reconexões”, conta.

Desde o seu último espetáculo, voltar a se preparar para o palco tem sido, para ela, uma vivência essencial para seguir ativa artisticamente. Com trajetória múltipla, ela já foi B-Girl nos anos 1980, estudou balé, capoeira, dança afro e dança moderna na Bahia, e também atuou como poetisa, percussionista e cantora.

REENCONTRO COM A DANÇA

Susanna Cláudia retorna aos palcos após anos afastada, num processo de redescoberta. Com passagem pela ginástica olímpica, capoeira e danças populares como coco, carimbó e samba, ela considera o projeto uma oportunidade única.

“Receber esse convite foi um desafio e uma emoção enorme. É difícil ser vista com nossa idade, mas aqui estou reaprendendo e trazendo à tona uma memória que parecia adormecida. A cada encontro, me sinto renovada”, diz.

Jeanne Abreu também integra o projeto e traz à cena suas experiências como mulher, artista e educadora. Aos 69 anos, ela mergulha na criação de seu solo com o desejo de provocar reflexão e sensibilidade por meio da dança.

MINIDOC

Além das apresentações, o projeto contará com um minidocumentário que registra o processo criativo e presta homenagem a uma figura fundamental da dança no estado: Ana Mendes, professora e bailarina com mais de 25 anos de atuação.

“Desde o início, quis trazer referências da dança do nosso Estado. A Ana Mendes é uma dessas figuras potentes. Precisamos olhar para essas mulheres e reconhecer sua importância”, afirma Francis.

Ao destacar a potência da maturidade em cena, o projeto O Tempo no Corpo lança luz sobre um tema urgente: a valorização de corpos longevos na arte. Em um universo que historicamente marginaliza a velhice, o trabalho de Francis Baiardi e suas parceiras é um gesto de resistência, e reconhecimento. Celebrar essas histórias é também ampliar o futuro da dança, garantindo que o talento e a expressão não tenham prazo de validade.

Este projeto foi contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc (PNAB Manaus) e conta com apoio da Prefeitura de Manaus, Governo Federal, ManausCult, ESAT/UEA e Secretaria de Cultura do Amazonas. A realização é da Avá Produção Cultural, com produção de Jady Castro.

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