A exposição ‘Reflexões Amazônicas’ reúne mais de 30 obras de artistas visuais em Manaus, a partir do dia 20 de março de 2026, na Valer Teatro, Centro. A mostra ficará em cartaz até o dia 10 de julho de 2026, com visitação das 10h às 22h.
Inspirada na coleção editorial publicada pela Editora Valer, a mostra propõe um olhar contemporâneo sobre o cocar, um dos objetos mais simbólicos das culturas indígenas da Amazônia.
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SOBRE A EXPOSIÇÃO
A produção, curadoria e expografia da exposição são da Manaus Amazônia Galeria de Arte, e reúnem artistas indígenas e não indígenas que abordam o tema por meio de diferentes linguagens artísticas, técnicas e perspectivas.
O ponto de partida da exposição é o cocar, tratado não como adereço decorativo, mas como uma indumentária carregada de significados ligados ao pertencimento, memória, ancestralidade e à presença indígena na formação do Brasil. Ao escolher o cocar como eixo central, a mostra destaca as diferentes camadas simbólicas desse objeto.
A apresentação da exposição é assinada pelo professor e pesquisador indígena Ytanajé Cardoso, do povo Munduruku, gerente de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas.
Ele destaca o cocar como um símbolo que reúne diferentes dimensões culturais dos povos indígenas. “O cocar é um dos símbolos mais expressivos dos povos indígenas, possuindo dimensões espirituais, estéticas e reflexivas. A dimensão espiritual diz respeito à sua ancestralidade. A dimensão estética é evidenciada em sua força de representação. A dimensão reflexiva está presente na história contada por cada cocar”, afirma.

Segundo o diretor da Manaus Amazônia Galeria de Arte, Carlysson Sena, a exposição busca ampliar o olhar do público sobre o significado cultural do cocar. “O cocar é um símbolo muito presente no imaginário amazônico, mas que muitas vezes é visto de uma forma superficial. A proposta da exposição é justamente convidar o público a refletir sobre esse objeto como uma expressão da identidade, da memória e como objeto de arte, por isso, todas as obras estarão à venda para que o público possa levar estas reflexões para dentro de seus lares e escritórios”, afirmou.
ARTISTAS
Selecionados pela curadoria, os artistas participantes desta exposição são:
- Alessandro Hipz,
- Dhiani Pa’saro,
- Duhigó,
- Juliana Lama,
- Lino Mura,
- Monik Ventilari e
- Sãnipã
O artista visual, grafiteiro e muralista Alessandro Hipz aproxima o cocar da estética do grafite e da arte urbana, propondo reflexões sobre a identidade brasileira contemporânea.
Dhiani Pa’saro leva para a pintura referências ligadas à memória e ao pensamento do povo Wanano, enquanto Duhigó mobiliza elementos simbólicos da cultura Tukano e aborda o deslocamento de artefatos indígenas para coleções e museus.
Já a artista e pesquisadora Juliana Lama direciona o olhar para o processo de criação do cocar, destacando os gestos e as mãos responsáveis por sua feitura e pela transmissão de saberes. O artesão indígena Lino Mura trabalha o resgate técnico de práticas culturais associadas à tradição Mura como forma de resistência, enquanto Monik Ventilari explora traduções contemporâneas do tema por meio de formas abstratas e dobraduras em papel.
A artista Sãnipã amplia o repertório visual da mostra com cocares e pinturas em acrílica sobre tela ligados às culturas Apurinã e Kamadeni.
SERVIÇO
Evento: Exposição ‘Reflexões Amazônicas’ em Manaus
Data: abertura 20 de março, e segue o dia 10 de julho
Visitação: de segunda à sábado, 10h às 22h, e aos domingos, 08h às 22h
Local: Galeria de Arte da Valer Teatro, Rua José Clemente, Largo São Sebastião, Centro, Manaus
Entrada: gratuita