Manaus, 29 de novembro de 2022

Coronavírus

Foto: Governo de São Paulo
Foto: Governo de São Paulo Foto: Governo de São Paulo

Quem é Vanuzia Santos, primeira indígena vacinada contra Covid-19 no Brasil

A técnica em enfermagem e assistente social já pegou Covid-19.

Da redação

A primeira indígena vacinada no país contra a Covid-19 é Vanuzia Santos, de 50 anos. Ela é técnica em enfermagem e assistente social. Solteira e mãe de um filho de 24 anos, Vanuzia já pegou Covid-19 e sentiu sintomas severos, como falta de ar.

A indígena, que foi vacinada no domingo (17/01), é moradora da aldeia multiétnica Filhos Dessa Terra, na cidade de Guarulhos, em São Paulo.

De acordo com o Governo de São Paulo, Vanuzia também preside o Conselho do Povo Kaimbé, originário do Nordeste.

Ela decidiu estudar, lutar por direitos e um dia retornar para cuidar dos moradores da aldeia de Massacará, na cidade baiana de Euclides da Cunha, onde nasceu. Atualmente, a aldeia de Massacará tem cerca de 200 famílias, com representantes de pelo menos 180 delas residentes em São Paulo.

Vanuzia Santos, primeira indígena vacinada contra a Covid-19 no Brasil. Foto: Governo de São Paulo

Vanuzia mudou para São Paulo em 1988 para trabalhar e se aprimorar na carreira profissional.

“Fiquei muito feliz de participar deste momento. Sou defensora da vida, de outras vacinas, da prevenção e da saúde. Devemos valorizar a educação, a ciência, e isso pode ser conciliado mantendo uma crença, com as rezas e a medicina tradicional do meu povo”, disse Vanuzia, após ser vacinada.

A indígena orienta as comunidades sobre a suscetibilidade aos vírus, relembrando sua experiência como técnica de enfermagem na Casa do Índio, onde trabalhou por dez anos.

Vanuzia concluiu a graduação em Assistência Social com bolsa integral pela PUC-SP em 2020. No último ano, frequentou aulas a distância, devido à pandemia. “O sinal era horrível na aldeia, corria com guarda-chuva para baixo de uma árvore. Fiz meu TCC inteiro pelo celular”, contou.

Ela já pegou a Covid-19 e teve sintomas severos. Foto: Governo de São Paulo

Agora, a profissional pretende fazer residência em Saúde Mental. A intenção é continuar contribuindo com seu povo e manter viva a herança dos ancestrais.

A técnica de enfermagem também foi infectada pela Covid-19. Sentiu os sintomas mais severos em maio do ano passado. Vanuzia sentiu dores no corpo, tosse e severa falta de ar, além da ausência de olfato e paladar que persiste até hoje.

“Não fui para o hospital porque ajudava a cuidar de outras seis pessoas, precisava ter força para dar uma palavra de conforto e cuidar deles sem me abater. Tinha um oxímetro [equipamento que mede a saturação de oxigênio na corrente sanguínea], mas não media minha respiração para não me apavorar. Fiz o teste em 15 de junho e já estava curad”, contou.

Vacinação ocorreu no domingo. Foto: Governo de São Paulo

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