Manaus, 2 de julho de 2026

Cinema

Documentário sobre ‘Santa Etelvina’ estreia em Manaus

Exibição será no Cemitério São João Batista, na sexta-feira (15/5).

Com informações da assessoria

O documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia‘ estreia em Manaus, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A exibição ocorre às 20h, em um local com relação direta à memória da personagem, no Cemitério São João Batista, Centro. A entrada é solidária, com doação de 1kg alimento não perecível.

Antes da estreia, a organização realizará um sessão especial do filme ‘Ária – Fazendo a Vida Viver’ .

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Foto: Lucio Silva

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DOCUMENTÁRIO

Com direção de Cleinaldo Marinho e produção pela CM ArteCultura & Produções, o documentário marca os 125 anos do assassinato de Etelvina de Alencar, morta em 1901 na então Colônia Campos Sales, região onde hoje se situa o bairro que leva seu nome.

O filme percorre esse período por meio da história de Manaus para acompanhar como fiéis peregrinam até seu túmulo e ressignificaram sua morte trágica e violenta, transformando-a na chamada ‘Santa Etelvina’, em razão das graças a ela atribuídas.

É a primeira vez em que será montada uma estrutura de exibição cinematográfica em um cemitério no Amazonas.

“É posicionamento. A arte e a cultura têm o poder de transformar um espaço de luto em um espaço de escuta, de converter a ausência em presença e o silêncio em voz. O cemitério é um acervo a céu aberto, onde a memória resiste, onde a tristeza, o amor e a fé se manifestam em resiliência. Por que não ressoar a arte para deslocar sentidos, vislumbrando a cultura de um lugar?”, disse diretor.

Inaugurado em 1890, o cemitério está localizado na Zona Centro-Sul de Manaus e foi reconhecido como Patrimônio Histórico do Estado do Amazonas. O espaço reúne diferentes técnicas construtivas e materiais característicos de épocas passadas, incluindo cerâmica inglesa, esculturas artísticas e acabamentos marmorizados. Entre os elementos preservados, destaca-se o antigo gradil, montado com rebites de ferro e anéis decorativos de chumbo, utilizados para reforçar a estrutura em um período anterior à solda elétrica. O cemitério também mantém um extenso acervo documental, com registros de sepultamentos que remontam a 1882.

Foto: Lucio Silva

PRODUÇÕES EM TORNO DA TRAJETÓRIA FEMININAS

O filme faz parte de um conjunto de trabalhos do diretor Cleinaldo Marinho em torno de trajetórias femininas apagadas ou marginalizadas na história do Amazonas.

Embora o termo feminicídio seja recente, o documentário evidencia que as estruturas que o definem, como o controle, a posse, o ciúme e a dominação, atravessam gerações. “O feminicídio é o assassinato de mulheres por serem mulheres. O caso da Etelvina reúne todos esses elementos. Ao revisitar o episódio, mostramos que essa violência é histórica e ainda persiste”, diz Marinho.

Em trabalhos anteriores, o diretor voltou-se para a vida da poetisa Violeta Branca, a primeira mulher a ingressar na Academia Amazonense de Letras, no espetáculo teatral Ritmos de Inquieta Alegria, baseado no livro homônimo.

Em Ária – Fazendo a Vida Viver‘, reconstruiu a memória de Ária Ramos, artista de futuro promissor que teve fim trágico na Manaus da Belle Époque. Com o mesmo compromisso, “trazer essas histórias para o centro, não apenas como personagens individuais, mas como expressões de contextos sociais, culturais e políticos mais amplos. Ao revisitar essas trajetórias, buscamos também reequilibrar narrativas e ampliar o repertório de memória da região”, reforça o diretor.

A atriz Rosana Neves, que já havia trabalhado com Marinho em Ária, retorna como protagonista na estrutura ficcional do filme. “Foi um processo de descoberta, construção e responsabilidade. O que fica para mim é a força dessa mulher, que agora também faz parte da minha história como atriz”, diz ela.

Para Marinho, a obra não pretende encerrar a história, mas abrir caminhos de reflexão sobre memória, violência, fé e construção social de narrativas. “É também um convite a pensar como transformamos dor em significado e como determinadas histórias persistem não apenas pelo que aconteceu, mas pelo que passam a representar.”

ELENCO

‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia’ é um projeto contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, via Concultura, com recursos do Governo Federal. O elenco conta com:

  • Rosana Neves,
  • Neuriza Figueira,
  • Ádria Alves,
  • Larissa Baraúna,
  • Dimas Mendonça,
  • Márcio Braz,
  • Fagner Coelho,
  • Denis Carvalho,
  • Jean Melo,
  • Ruan Viana,
  • Elizeu Melo,
  • Giovana Bessa,
  • Miro Messa e
  • Raquel Cunha.
Foto: Lucio Silva

SINOPSE

Uma jovem assassinada em 1901 em uma Colônia Agrícola nos arredores de Manaus, foi vítima de um ex-namorado em crime brutal que atravessou gerações.

Sua memória foi transferida em fé popular, mantendo vivo o simbolismo de sua morte nas peregrinações a três túmulos distintos. Entre mistério, controvérsias e versões que resistem o tempo, o documentário indaga como um feminicídio foi ressignificado em devoção por féis que buscam graças e milagres atribuindo aqueles que muitos chamam de ‘Santa Etelvina’.

FICHA TÉCNICA

  • Direção: Cleinaldo Marinho
  • Roteiro: Black Marialva e Cleinaldo Marinho
  • Produção Executiva: CM ArteCultura & Produções.
  • Direção de Produção: Denis Carvalho e Beto Padilha
  • Direção de Fotografia: Lucio Silva
  • Câmera: Ricardo Sassaki
  • Câmera de Depoimentos: Jair Campos
  • Assistente de Câmera: Marcos Antônio (Casca)
  • Maquinaria: Marcelo Silva (Marcelinho)
  • Elétrica: Nei Santos
  • Som Direto: Denny Gomes e Márcio Garcia Jr.
  • Masterização de Som e Trilha Sonora: Lucas Lima
  • Edição e Finalização: Black Marialva
  • Direção de Arte: Beto Padilha e Denis Carvalho.
  • Figurino: Cleide Santana (Nega)
  • Produtor de Objetos: Marcos Rodrigues (Marquinhos)
  • Cenotécnico: Fred Barbosa
  • Contrarregras: Paulo Góes.
  • Logística Técnica: Erickson Fernandes
  • Maquiagem: Eugênio Lima e Jamylle Jackson
  • Comunicação: Rina Sales
  • Legendas e Colorização: Daniel Castilho
  • Identidade Visual: Jackson Matos
  • Transporte: Ataliba Almeida
  • Catering: Glaucia Mata.

SERVIÇO

O quê: estreia do documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia’ em Manaus
Data: nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026
Horário: 20h
Local: Cemitério São João Batista
Entrada: solidária, com doação de 1k de alimento não perecível

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