Documentário sobre ‘Santa Etelvina’ estreia em Manaus
Exibição será no Cemitério São João Batista, na sexta-feira (15/5).
12/05/2026 11:59
Com informações da assessoriaO documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia‘ estreia em Manaus, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A exibição ocorre às 20h, em um local com relação direta à memória da personagem, no Cemitério São João Batista, Centro. A entrada é solidária, com doação de 1kg alimento não perecível.
Antes da estreia, a organização realizará um sessão especial do filme ‘Ária – Fazendo a Vida Viver’ .
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DOCUMENTÁRIO
Com direção de Cleinaldo Marinho e produção pela CM ArteCultura & Produções, o documentário marca os 125 anos do assassinato de Etelvina de Alencar, morta em 1901 na então Colônia Campos Sales, região onde hoje se situa o bairro que leva seu nome.
O filme percorre esse período por meio da história de Manaus para acompanhar como fiéis peregrinam até seu túmulo e ressignificaram sua morte trágica e violenta, transformando-a na chamada ‘Santa Etelvina’, em razão das graças a ela atribuídas.
É a primeira vez em que será montada uma estrutura de exibição cinematográfica em um cemitério no Amazonas.
“É posicionamento. A arte e a cultura têm o poder de transformar um espaço de luto em um espaço de escuta, de converter a ausência em presença e o silêncio em voz. O cemitério é um acervo a céu aberto, onde a memória resiste, onde a tristeza, o amor e a fé se manifestam em resiliência. Por que não ressoar a arte para deslocar sentidos, vislumbrando a cultura de um lugar?”, disse diretor.
Inaugurado em 1890, o cemitério está localizado na Zona Centro-Sul de Manaus e foi reconhecido como Patrimônio Histórico do Estado do Amazonas. O espaço reúne diferentes técnicas construtivas e materiais característicos de épocas passadas, incluindo cerâmica inglesa, esculturas artísticas e acabamentos marmorizados. Entre os elementos preservados, destaca-se o antigo gradil, montado com rebites de ferro e anéis decorativos de chumbo, utilizados para reforçar a estrutura em um período anterior à solda elétrica. O cemitério também mantém um extenso acervo documental, com registros de sepultamentos que remontam a 1882.

PRODUÇÕES EM TORNO DA TRAJETÓRIA FEMININAS
O filme faz parte de um conjunto de trabalhos do diretor Cleinaldo Marinho em torno de trajetórias femininas apagadas ou marginalizadas na história do Amazonas.
Embora o termo feminicídio seja recente, o documentário evidencia que as estruturas que o definem, como o controle, a posse, o ciúme e a dominação, atravessam gerações. “O feminicídio é o assassinato de mulheres por serem mulheres. O caso da Etelvina reúne todos esses elementos. Ao revisitar o episódio, mostramos que essa violência é histórica e ainda persiste”, diz Marinho.
Em trabalhos anteriores, o diretor voltou-se para a vida da poetisa Violeta Branca, a primeira mulher a ingressar na Academia Amazonense de Letras, no espetáculo teatral Ritmos de Inquieta Alegria, baseado no livro homônimo.
‘Em Ária – Fazendo a Vida Viver‘, reconstruiu a memória de Ária Ramos, artista de futuro promissor que teve fim trágico na Manaus da Belle Époque. Com o mesmo compromisso, “trazer essas histórias para o centro, não apenas como personagens individuais, mas como expressões de contextos sociais, culturais e políticos mais amplos. Ao revisitar essas trajetórias, buscamos também reequilibrar narrativas e ampliar o repertório de memória da região”, reforça o diretor.
A atriz Rosana Neves, que já havia trabalhado com Marinho em Ária, retorna como protagonista na estrutura ficcional do filme. “Foi um processo de descoberta, construção e responsabilidade. O que fica para mim é a força dessa mulher, que agora também faz parte da minha história como atriz”, diz ela.
Para Marinho, a obra não pretende encerrar a história, mas abrir caminhos de reflexão sobre memória, violência, fé e construção social de narrativas. “É também um convite a pensar como transformamos dor em significado e como determinadas histórias persistem não apenas pelo que aconteceu, mas pelo que passam a representar.”


ELENCO
‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia’ é um projeto contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, via Concultura, com recursos do Governo Federal. O elenco conta com:
- Rosana Neves,
- Neuriza Figueira,
- Ádria Alves,
- Larissa Baraúna,
- Dimas Mendonça,
- Márcio Braz,
- Fagner Coelho,
- Denis Carvalho,
- Jean Melo,
- Ruan Viana,
- Elizeu Melo,
- Giovana Bessa,
- Miro Messa e
- Raquel Cunha.

SINOPSE
Uma jovem assassinada em 1901 em uma Colônia Agrícola nos arredores de Manaus, foi vítima de um ex-namorado em crime brutal que atravessou gerações.
Sua memória foi transferida em fé popular, mantendo vivo o simbolismo de sua morte nas peregrinações a três túmulos distintos. Entre mistério, controvérsias e versões que resistem o tempo, o documentário indaga como um feminicídio foi ressignificado em devoção por féis que buscam graças e milagres atribuindo aqueles que muitos chamam de ‘Santa Etelvina’.
FICHA TÉCNICA
- Direção: Cleinaldo Marinho
- Roteiro: Black Marialva e Cleinaldo Marinho
- Produção Executiva: CM ArteCultura & Produções.
- Direção de Produção: Denis Carvalho e Beto Padilha
- Direção de Fotografia: Lucio Silva
- Câmera: Ricardo Sassaki
- Câmera de Depoimentos: Jair Campos
- Assistente de Câmera: Marcos Antônio (Casca)
- Maquinaria: Marcelo Silva (Marcelinho)
- Elétrica: Nei Santos
- Som Direto: Denny Gomes e Márcio Garcia Jr.
- Masterização de Som e Trilha Sonora: Lucas Lima
- Edição e Finalização: Black Marialva
- Direção de Arte: Beto Padilha e Denis Carvalho.
- Figurino: Cleide Santana (Nega)
- Produtor de Objetos: Marcos Rodrigues (Marquinhos)
- Cenotécnico: Fred Barbosa
- Contrarregras: Paulo Góes.
- Logística Técnica: Erickson Fernandes
- Maquiagem: Eugênio Lima e Jamylle Jackson
- Comunicação: Rina Sales
- Legendas e Colorização: Daniel Castilho
- Identidade Visual: Jackson Matos
- Transporte: Ataliba Almeida
- Catering: Glaucia Mata.
SERVIÇO
O quê: estreia do documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia’ em Manaus
Data: nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026
Horário: 20h
Local: Cemitério São João Batista
Entrada: solidária, com doação de 1k de alimento não perecível