Manaus, 18 de julho de 2026

Amazônia

Marilene Corrêa da Silva Freitas, Pesquisadora Emérita do CNPq. Foto: Divulgação
Marilene Corrêa da Silva Freitas, Pesquisadora Emérita do CNPq. Foto: Divulgação Marilene Corrêa da Silva Freitas, Pesquisadora Emérita do CNPq. Foto: Divulgação

Marilene Corrêa da Silva Freitas recebe título de Pesquisadora Emérita do CNPq

Professora da UFAM será condecorada no Rio de Janeiro em maio.

Da Redação

A professora titular aposentada da Universidade Federal do Amazonas (UFAM),Marilene Corrêa da Silva Freitas, foi contemplada com o título de Pesquisadora Emérita do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com isso,a pesquisadora será condecorada no dia 7 de maio de 2026, em cerimônia na Escola Naval da Marinha, no Rio de Janeiro.

Na categoria Ciências Humanas e Sociais do prêmio, Marilene Corrêa está entre as seis personalidades agraciadas com a honraria neste ano. A pesquisadora consolidou sua obra com estudos sobre a Amazônia, na perspectiva das Ciências Sociais.

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Marilene Corrêa da Silva Freitas, professora da UFAM e Pesquisadora Emérita do CNPq, sentada a uma mesa durante entrevista, sorrindo e gesticulando com as mãos, usando blusa branca, colete preto e óculos azuis
Marilene Corrêa da Silva Freitas, Pesquisadora Emérita do CNPq. Foto: Divulgação

Considerando os 43 anos dedicados ao desenvolvimento de projetos voltados ao ensino e à pesquisa na UFAM, entre tantas outras atividades de alta relevância na área científica, a professora avalia o reconhecimento e o destaca como resultado de uma vida de dedicação.

“O prêmio representa uma recompensa pela escolha de vida e de foco, pelo qual tenho me empenhado em compreender e explicar criticamente a Amazônia e suas relações com o Brasil. Representa um incentivo aos novos pesquisadores e trabalhadores da ciência na Região Norte e nas universidades da Amazônia, especialmente na UFAM, onde trabalhei durante 43 anos no ensino de graduação e na pesquisa, no Departamento de Ciências Sociais”, afirma.

Mesmo após a aposentadoria, a pesquisadora segue em plena atividade acadêmica. Marilene coordena o Laboratório de Estudos Interdisciplinares das Ciências Sociais na Amazônia, vinculado ao Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia, da UFAM.

Além disso, orienta alunos do mestrado em Sociologia na mesma universidade e do mestrado em Agricultura no Trópico Úmido, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), mantendo viva a ponte entre a produção de conhecimento e a formação de novas gerações de cientistas na região.

Uma voz pela inclusão na ciência brasileira

Marilene Freitas aconselha os novos pesquisadores a investir com profundidade nos estudos de graduação e pós-graduação e destaca como isso se torna possível por meio das atuais politicas públicas disponíveis.

“O acesso à universidade pública ainda é um privilégio que rompemos com muito esforço individual e investimento institucional. No entanto, os jovens hoje têm incentivos federais e estaduais que permitem a dedicação exclusiva aos estudos e ao processo de escolha de carreiras científicas. É só ver o processo de internalização no país de políticas de formação de mestres, doutores e pós-doutores, o fomento das agências de apoio, desde a iniciação científica”, afirma.

Além disso, a professora ainda ressalta que essas oportunidades são fruto do esforço coletivo da sociedade, de organizações de professores e pesquisadores, de sociedades científicas e de trabalhadores da ciência. “Há ainda programas que buscam a equidade de acesso à formação científica no Brasil, como os dirigidos para a inclusão regional, econômica, social e étnica. Aliás, essa inclusão mudou o perfil da ciência e dos cientistas brasileiros. Por isso estamos aqui”, completa.

Vista aérea do campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em Manaus, com prédios e pavilhões acadêmicos integrados à densa floresta amazônica urbana, cortados por vias de acesso sinuosas
Campus da UFAM em Manaus mais de 600 hectares de floresta urbana. Foto: Reprodução

Da graduação em Manaus ao pós-doutorado na França

A trajetória acadêmica de Marilene Corrêa da Silva Freitas é marcada pela amplitude e pela excelência. Graduada em Serviço Social pela UFAM, a pesquisadora obteve o mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e o doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nos anos 2000, realizou pós-doutorado na Université de Caen e na Université Gustave Eiffel Paris-Est, ambas na França, ampliando o alcance internacional de suas pesquisas sobre a Amazônia.

Além da carreira acadêmica, a professora ocupou posições estratégicas na gestão pública e institucional do Amazonas. Entre 2003 e 2007, foi Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas. De 2007 a 2010, exerceu o cargo de Reitora da UEA, a primeira mulher a ocupar a função na história da universidade. No período de 2009 a 2011, integrou o Conselho Nacional do Fundo Nacional de Meio Ambiente, órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Entre 2016 e 2018, presidiu o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

Marilene Corrêa da Silva Freitas, pesquisadora da UFAM, de braços cruzados e sorrindo, usando colete colorido artesanal e colar de pérolas, em área externa com vegetação ao fundo
Foto: Reprodução

Atuação que atravessa fronteiras institucionais

A influência de Marilene Freitas se estende para além dos muros da universidade. A professora é membro de notório saber do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e integra o Conselho Superior da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Participa, ainda, do Conselho Editorial do Jornal Ciência Hoje, publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade na qual atuou como membro eleito do Conselho para a Região Norte até o ano passado.

Vista aérea de comunidade ribeirinha na Ilha das Guaribas, Rio Amazonas, com casas sobre palafitas cercadas pela cheia, vegetação verde e pôr do sol refletido nas águas
Comunidade Ilha das Guaribas, Rio Amazonas, Amazônia. Foto: Felipe Pessoa

Honrarias que refletem uma vida dedicada à Amazônia

O título de Pesquisadora Emérita do CNPq se soma a uma extensa lista de reconhecimentos acumulados ao longo de décadas de trabalho. Em 2011, Marilene Freitas foi eleita Personalidade Amazônica pela Fundação Panamazônica. Em 2007, recebeu a Medalha do Conhecimento, na categoria Gestor Pesquisador, concedida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e a Medalha do Mérito Legislativo, outorgada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.

No ano anterior, em 2006, foi a personalidade homenageada do Prêmio Samuel Benchimol, que reconhece projetos e iniciativas inovadoras em prol do desenvolvimento sustentável da Amazônia. O prêmio é organizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), das Federações das Indústrias da Amazônia Legal, do Banco da Amazônia e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

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