Manaus, 3 de julho de 2022

EVENTOS

Foto: Robert Coelho/Divulgação
Foto: Robert Coelho/Divulgação Foto: Robert Coelho/Divulgação

Rapper Jander Manauara lança DVD ‘Do Rip Rap ao Flutuante’ neste sábado

Trabalho destaca a sustentabilidade coletiva e protagonismo amazônico.

O rapper e ativista Jander Manauara lança, neste sábado (15/5), às 15h, o DVD, ‘Do Rip Rap ao Flutuante’. Com participação de artistas, ativistas e personalidades representativas, o novo trabalho destaca a sustentabilidade coletiva e o protagonismo amazônico.

Com canções que unem a preservação dos rios da Amazônia e o cotidiano amazonense, o projeto será lançado em formato online no canal do cantor no YouTube.

O trabalho mostra a história de Manaus por meio das águas (igarapés, rios e rip-raps) que refletem os sonhos e a resistência da população.

Falar de sustentabilidade e de protagonismo amazonense faz parte da trajetória do ativista e cantor, que já possui mais de 20 anos dedicados à cena do hip-hop local. Foi por meio da poesia e da arte que ele reuniu a diversidade cultural presente no novo trabalho.

O cantor convidou especialistas e artistas de peso para levantarem a bandeira, como a cantora Márcia Novo e o graffiteiro Denis L.D.O, entre outros.

Após três álbuns gravados, este é o primeiro DVD lançado por Jander, que apresenta a experiência como um processo de aprendizado e inspiração.

Lançamento do novo trabalho ocorre neste sábado. Foto: Robert Coelho/Divulgação

“Quando coloquei o título “Do rip rap ao Flutuante” no meio do processo, nas escolhas das músicas, vi que não eram sobre o espaço físico, mas sim das falas das pessoas, de suas percepções com cada local que cada manauara atravessa no seu dia a dia. A poesia fala sobre esses desdobramentos corriqueiros urbanos e amazônicos ao mesmo tempo”, explicou Jander.

O clipe foi gravado em abril deste ano, na sede do Programa de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável da Amazônia (Reusa), localizada no bairro Redenção, Zona Oeste de Manaus. O projeto tem apoio da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e beneficia um coletivo de aproximadamente 30 mulheres com geração de renda, por meio de artesanato e reciclagem.

As peças utilizadas no figurino de Jander foram confeccionadas pelo coletivo, mostrando que o rap também é sustentável. “O rap tem muito essa pegada de ostentação. Mas a mensagem que eu queria transmitir é que hoje, ostentar é ser sustentável. E ter essa dinâmica com a sustentabilidade foi fundamental. Eu quis trabalhar esse lado de reutilização, com material pet. A gente utilizou algumas luminárias, um cocar feito de peça de ventilador, canudinhos, CDs, bastante material reciclável”, comentou Jander.

As canções unem a preservação dos rios da Amazônia e o cotidiano amazonense. Foto: Divulgação

Coletivo

O projeto ‘Do Rip Rap ao Flutuante’ tem ainda uma extensa ficha técnica que une artistas plásticos, designers, beatmakers e a dupla musical base DJ Japão e João Paulo, na percussão. Ganham destaque as participações de Gui Cordel, Abner Viana, Denis L.D.O, Marcos Cileno, Xamã da Flauta e Guilherme Bonates, resultando no que Jander classifica como “pororoca de linguagens”.

Para a gravação do DVD, o artista também teve o apoio de alguns parceiros, como Manart Galeria, Fronteira Imaginária e Bosque da Ciência.

A cantora e compositora Marcia Novo, uma das figuras mais ativas quando o assunto é arte, música e desenvolvimento sustentável participou da gravação do DVD e destacou o projeto como uma reflexão fundamental para criar novas discussões sobre o tema.

“Quando o Jander me contou sobre o projeto, achei o máximo, porque essa é a nossa realidade, esse é o futuro da nossa nação. A sociedade no quesito coletividade e sustentabilidade ainda está engatinhando. O mundo inteiro já despertou para isso, mas o Brasil ainda está muito atrasado nisso, principalmente nós, que somos da Amazônia. Deveríamos ser um exemplo. É uma temática que precisa ser muito trabalhada para poder influenciar pessoas para o bem”, disse.

De modo geral, de acordo com a FAS, trabalhos como o lançamento do DVD do rapper Jander Manauara ajudam a desenvolver uma consciência coletiva e, assim, fazer a diferença entre a multidão. Nesse quesito, a arte entra como peça fundamental.

Segundo a professora de artes, artista plástica e arteterapeuta, Eliana Chaves, que também é uma das protagonistas do novo trabalho de Jander, esse é o tipo de atividade que ajuda a propor alternativas mais sustentáveis no desenvolvimento social.

“Cada vez mais a gente vai divulgando o uso correto de resíduos e diminuindo a quantidade de resíduos descartados incorretamente, principalmente nas comunidades mais carentes. A mensagem que fica é que um sonho quando a gente sonha sozinho, é apenas um sonho, mas quando a gente sonha junto, ele se torna realidade. Muitas pessoas têm o mesmo sonho que eu, de ver a nossa cidade mais limpa e socialmente justa, isso passa pela questão dos resíduos, e a arte entra como intermediadora desse processo”, destacou.

Outro destaque do DVD é o artista Fabiano Barros que realizou intervenções artísticas com o personagem ‘Recicla-Tempo’ durante a execução das músicas. Já a produção recebeu coordenação da produtora Giuliana Fletcher, por meio da ‘Pela Beira Produções’, e apoio do ‘Orígenas Coletivo’.

O artista Fabiano Barros é destaque no DVD. Foto: Divulgação

’Do Rip Rap ao Flutuante’

Ao todo, o DVD ‘Do Rip Rap ao Flutuante’ reunirá oito faixas, metade delas inéditas, que demonstram a facilidade do rapper em contextualizar o cotidiano urbano com a vivência amazônica. São elas: Flutuante, A Ponte, Amor de Robô, Mar Salgado, Pagar de Doido, Envenena a Flecha, Cheiro Bom e Indígenas de Amores.

Além da música, o projeto terá fragmentos documentais, trazendo o depoimento de quem hoje encabeça a luta para realizar o sonho de recuperar os igarapés da capital.

Os depoimentos serão intercalados com imagens captadas em locais como a Orla do Amarelinho e Feira da Panair, no bairro Educandos, a Feira da Manaus Moderna, e “braços” de igarapés nos bairros Novo Aleixo, São José, Comunidade da Sharp, entre outros.

Jander Manauara

Representante do Hip-Hop amazonense, o rapper é atuante no circuito independente desde 1999. Em 2001, com o grupo Mensagem Positiva, foi eleito MC revelação pelo MHM (Movimento Hip Hop Manaus), e no período de 2000-2002 formou a banda ABDZ, “mas sem registro posterior”.

Atuar como DJ do grupo Consciência Profética entre os anos de 2003 a 2005 e fez seu primeiro registro solo como rapper com o EP de 2003, intitulado Quase Nada.

O regionalismo em forma de poesia soma-se ao ritmo (RAP-Ritmo e poesia) com sincronismo da dupla DJ Carapanã e Jander Manauara registrada no primeiro disco no ano de 2008 com o título de ‘Num vale 1 real!’. No ano de 2009, eles participaram do Festival Até o Tucupi, promovido pelo Coletivo Difusão (AM) e o circuito Fora do Eixo de música (DF).

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